UE ameaça forçar Meta a permitir IAs de rivais no WhatsApp

Ouvir esta notícia

União Europeia ameaça obrigar a Meta a deixar IAs de rivais funcionarem no WhatsApp

A UE quer evitar que a Meta use o tamanho do WhatsApp para favorecer sua IA; investigação por abuso de poder também ocorre no Brasil

No cenário regulatório da inteligência artificial, a União Europeia acendeu o sinal de alerta recentemente. A influência de WhatsApp como gigante de mensagens serviu de justificativa para questionamentos sobre como a Meta está conduzindo o ecossistema de IA dentro do aplicativo. Em 15 de janeiro de 2026, a empresa alterou sua política: apenas a Meta AI poderia ser usada dentro do WhatsApp, o que bloqueou serviços de terceiros que desenvolvem chatbots sofisticados, como OpenAI e Perplexity. Na prática, isso impede rivais de oferecer suas ferramentas diretamente no aplicativo de mensagens.

A Comissão Europeia não encarou a mudança de conta fria. Em resposta, enviou um aviso formal à Meta, sinalizando que a prática pode configurar abuso de poder e reduzir a concorrência no mercado de IA. Os reguladores argumentam que o WhatsApp, por seu peso, funcionaria como uma porta única para as ferramentas de IA chegarem aos usuários, o que, na visão da UE, frearia o crescimento de concorrentes menores.

Para evitar que a disputa atrapalhe o andamento jurídico, a UE ainda sinalizou a possibilidade de medidas temporárias. Em caso de necessidade, a Meta poderia ser obrigada a restabelecer a atuação de IAs de outras empresas no WhatsApp de forma imediata, mesmo antes de uma decisão final. Em resposta, a Meta alega que há outras formas de acesso a IA, como lojas de aplicativos, sites e até outros dispositivos, e sustenta que o WhatsApp não é o único caminho para o público encontrar essas ferramentas.

No Brasil, o debate não fica ausente. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) também acompanha o tema, avaliando se a decisão da Meta representa abuso de poder para favorecer a própria IA. Enquanto isso, o andamento no Brasil aponta para uma continuidade do processo, com a Justiça autorizando temporariamente a Meta a manter a proibição a depender do andamento do litígio.

De fora, a chefe de antitruste da UE, Teresa Ribera, reforçou a necessidade de manter a competição justa nesse terreno ainda novo da IA. No contexto internacional, o momento é de tensão, já que o governo dos EUA costuma cobrar flexibilidade em regras que impactam grandes plataformas europeias.

O que acontece agora? A Meta tem o direito de apresentar defesa formal antes que qualquer medida temporária seja aplicada. E a decisão final do bloco dependerá dessa resposta da empresa. Enquanto isso, os consumidores podem observar como o ecossistema de IA se integra a serviços de mensagens, com impactos diretos sobre disponibilidade, diversidade de opções e inovação no dia a dia.

Principais pontos

  • NOVA política da Meta restringe IA apenas à Meta AI dentro do WhatsApp.
  • Reação regulatória da UE, com possibilidade de medidas temporárias para reabrir espaço a IAs de terceiros.
  • Foco brasileiro no Cade, que investiga abuso de poder e o impacto da decisão no mercado nacional.

O que achou deste post?

Jornalista

Lucas Almeida

AO VIVO Sintonizando...