Documentos do caso Epstein: EUA revelam acusações contra Trump que estavam sob sigilo

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Governo dos EUA divulga arquivos do caso Epstein com acusações contra Trump que estavam sob sigilo

O Departamento de Justiça afirma que documentos divulgados continham informações já codificadas como duplicadas, o que levou à liberação acidental

Em meio a uma década de casos que seguem alimentando controvérsias, surgem novos desdobramentos sobre os arquivos do caso Epstein. Documentos do FBI que resumem entrevistas com uma mulher que, sem provas, fazia alegações contra o então presidente dos EUA e contra Jeffrey Epstein foram tornados públicos como parte do acervo do DOJ dedicado ao caso Epstein. A divulgação ocorreu quando autoridades enfrentavam críticas de que parte do material não constava no banco de dados oficial, elevando suspeitas de eventuais falhas na comunicação institucional.

Neste contexto, o Departamento de Justiça informou que os arquivos foram retidos por engano durante o processo de revisão, pois haviam sido “codificados incorretamente como duplicados”. Os memorandos em questão descrevem uma série de entrevistas realizadas em 2019 com a mulher não identificada, que apresentou uma série de alegações não comprovadas envolvendo Trump e Epstein. O presidente, por sua vez, tem reiterado repetidamente a ausência de irregularidades em relação às acusações sexuais associadas ao caso Epstein.

De acordo com um dos três memorandos, a mulher contou aos agentes do FBI que, na década de 1980, Epstein a apresentou a Trump, na época ainda adolescente. Ela descreveu que tanto Epstein quanto Trump teriam abusado sexualmente dela quando tinha entre 13 e 15 anos. Os arquivos indicam que os agentes não mantiveram novos contatos com a mulher após as entrevistas iniciais, deixando em aberto muitos pontos sobre a linha de investigação.

No que diz respeito ao vínculo entre Trump e Epstein, não há clareza sobre se os dois se conheciam na janela em que as supostas ocorrências teriam acontecido. Em resposta às novas publicações, a Casa Branca classificou as alegações como “completamente infundadas” e sem qualquer evidência crível. A secretária de imprensa Karoline Leavitt ressaltou que Trump foi totalmente inocentado com a divulgação dos arquivos Epstein, acrescentando que, segundo a Administração anterior, não houve acusações porque eles sabiam que o presidente não tinha cometido nada de errado.

Além dos resumos de entrevistas com testemunhas do FBI, o conjunto completo de arquivos Epstein também contém uma lista de alegações feitas contra Trump por pessoas que entraram em contato com a linha direta de denúncias da National Threat Operations Center. O conteúdo é marcado por várias acusações de abuso, muitas survividas sem verificação ou sem evidência substancial, o que acende o debate sobre a confiabilidade de relatos não verificados em investigações sensíveis.

Após a divulgação inicial dos arquivos em janeiro, o DOJ reafirmou que algumas das alegações são falsas ou sensacionalistas e que foram apresentadas ao FBI pouco antes das eleições de 2020. Em tom firme, disseram que as acusações eram infundadas e falsas e que, se tivessem qualquer credibilidade, certamente teriam sido usadas politicamente contra o presidente.

Os três memorandos recém-publicados ganham destaque após reportagens anteriores indicarem que eles haviam ficado retidos indevidamente nas primeiras divulgações. A NPR foi a primeira a apontar que índices e números de série sugeriam que o FBI conduziu quatro entrevistas com a mulher em 2019, como parte da investigação sobre a cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell, presa em 2022 por tráfico sexual. Ainda assim, três dos resumos dessas entrevistas, além de notas relacionadas, somavam mais de 50 páginas e não estavam disponíveis no site do DOJ, conforme reportagens do NPR e de veículos como o New York Times.

Sobre o relacionamento entre Epstein e Trump, os relatos indicam que a amizade entre ambos perdurou por vários anos, até que, segundo Trump, o afastamento ocorreu no início dos anos 2000, dois anos antes da primeira prisão de Epstein. Em meio a novos desdobramentos, uma comissão da Câmara aprovou, no início desta semana, a intimação da procuradora-geral Pam Bondi para responder a perguntas sobre a atuação do DOJ nos arquivos. Os republicanos da Comissão de Supervisão, aliados aos democratas, votaram pela intimação. Além disso, na prática, o Congresso já aprovou, no ano anterior, uma lei que obriga o departamento a divulgar todo o material de suas investigações sobre Epstein, com milhões de documentos já tornados públicos.

No fim das contas, o interesse público permanece elevado, alimentado pela dúvida sobre o que exatamente está contido nos arquivos e como ele pode influenciar a percepção sobre figuras públicas envolvidas em casos de grande repercussão. O que isso muda no dia a dia do leitor comum? A resposta não é simples, mas reforça a ideia de que a transparência em investigações complexas continua sendo um assunto em evidência, com consequências políticas e sociais que vão muito além das páginas dos documentos oficiais.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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