Conheça os concorrentes que já entraram na disputa pela Presidência

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Quem são os candidatos que já deram a largada para corrida à Presidência

A nove meses da eleição, ao menos sete nomes já lançaram sua pré-candidatura. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem à frente das pesquisas de intenção de voto.

Com a contagem regressiva para as urnas de 2026 já em curso, o cenário eleitoral brasileiro começa a ganhar forma. Ao menos sete nomes já se colocaram como pré-candidatos à Presidência, entre eles o atual chefe do Executivo, Lula (PT), que busca um quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), visto como principal voz da oposição e herdeiro político do clã Bolsonaro — já que seu pai, Jair Bolsonaro, não poderá concorrer no pleito. A essas duas lideranças se somam outros nomes que já insistem no sonho de chegar ao Palácio do Planalto. Entre eles, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), o líder do MBL, Renan Santos (Missão), a médica dentista Samara Martins (UP) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que disputará a indicação de sua sigla com Eduardo Leite e Ratinho Júnior no páreo. O quadro, claro, tende a seguir evoluindo até o dia 15 de agosto, prazo para o registro das candidaturas no TSE, com novos nomes surgindo ou outros desistindo. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e, se nenhum candidato alcançar maioria absoluta, o segundo turno está previsto para 25 de outubro.

À medida que as informações vão se desenhando, a BBC News Brasil traz os nomes que já anunciaram publicamente suas pré-candidaturas. No radar, Lula desponta como líder em cenários de 1º turno em várias leituras de pesquisa, enquanto Flávio Bolsonaro aparece como o principal nome da oposição em lances recentes.

Lula da Silva (PT) — As lembranças da campanha de 2022 ainda rondam a trajetória de Lula, que já revelou ter considerado, no passado, a possibilidade de governar por apenas um mandato. Hoje, aos 80 anos, ele projeta disputar o que seria a sua sétima eleição presidencial. O desempenho de Lula nas pesquisas, em fevereiro, coloca o petista na dianteira de todos os cenários de 1º turno, com variações entre 35% e 39%. Em uma leitura recente da Atlas/Bloomberg, divulgada em 25/02, o cenário aponta 45% ou mais de apoio, dependendo dos adversários. O desafio para o petista, no entanto, está na rejeição: a Quaest aponta que 54% dos entrevistados não votariam nele e 57% não acreditam que ele mereça ser reeleito. No dia a dia, fica a leitura de que Lula depende de uma base estável e de uma capacidade de mobilização que possa atravessar resistências históricas.

Flávio Bolsonaro (PL) — Filho mais velho de Jair Bolsonaro, Flávio entrou na política em 2002, primeiro como deputado estadual no Rio de Janeiro, depois como deputado federal e, desde 2018, como senador. A pré-candidatura ao Planalto foi anunciada em dezembro de 2025, quando ele foi apontado pelo pai como escolhido pelo PL para disputar a Presidência. A confirmação veio em nota assinada pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. Flávio aparece como o principal nome da oposição e lidera parte das leituras de intenção de voto: na Quaest, entre 29% a 33%. Já na Atlas/Bloomberg, ele fica entre 37,9% e 39,1%, com a leitura de que, em caso de segundo turno contra Lula, poderia ter vantagem de 46,3% a 46,2%. Entretanto, assim como Lula, ele também enfrenta rejeição expressiva: a Quaest aponta que 55% não votariam nele em 2026. No dia a dia, o desafio é consolidar um arco de apoio suficiente para enfrentos diretos com Lula.

Romeu Zema (Novo) — O governador de Minas Gerais formalizou a pré-candidatura em agosto do ano passado, em São Paulo, destacando o discurso de combate ao PT e prometendo varrer o que chamou de “PT do mapa”. Em entrevistas anteriores à BBC, Zema já sinalizava ter afinidade com propostas associadas ao bolsonarismo, embora sem o claro apoio de Bolsonaro na eleição. Zema construiu sua trajetória no Novo desde 2018, quando venceu o governo mineiro, repetindo a vitória em 2022 com mais de 56% no primeiro turno. Além da atuação empresarial — 26 anos como CEO do Grupo Zema —, o patrimônio declarado perto de R$ 130 milhões reforça o perfil de gestor. Na prática, Zema entra como o possível terceiro nome do Novo para concorrer à Presidência. Nas pesquisas, ele mantém reservas: apenas 1% nas leituras da Quaest; na Atlas/Bloomberg, números que variam entre 3,9% e 5,7%, e cenário com Lula e Flávio aponta para eventual alcance de 8,5%.

Aldo Rebelo (DC) — Um veterano da política, com passagem pelo PCdoB por quase quatro décadas, Aldo Rebelo lançou sua pré-candidatura pela Democracia Cristã no fim de janeiro. O ex-ministro criticou o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal, além de ter passado por cargos estratégicos nos governos petistas, o que ajuda a moldar um perfil de figura histórica para a DC. Rebelo já chegou a cogitar a formação de chapa com o ex-ministro das Comunicações Fábio Wajngarten, para compor como vice. Em termos de apoio, ele registra cerca de 1% de intenção de voto na Quaest, variando entre 0,9% e 1,1% nas leituras da Atlas/Bloomberg.

Renan Santos (Missão) — Cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan abriu o ano lançando a pré-candidatura pela legenda Missão. A leitura de intenção de voto aponta em torno de 1% na Quaest, e entre 2,5% a 3,7% nos cenários da Atlas/Bloomberg. O MBL ganhou notoriedade em 2014 e voltou a ganhar campo com as mobilizações de 2019. Junto a Kim Kataguiri (União), Renan figura como uma das vozes da direita que tentam manter a linha de atuação de rua e redes sociais, inclusive com críticas a alianças prévias.

Samara Martins (UP) — O partido Unidade Popular lançou Samara Martins como pré-candidata no começo de fevereiro. Ela tem 36 anos, é dentista e atua no Movimento de Mulheres Olga Benário e na Frente Negra Revolucionária. A candidatura de Samara ainda não aparece nas leituras mais recentes da Quaest. Em eleições passadas, o UP teve Léo Péricles como candidato, que obteve apenas 0,05% dos votos válidos. A entrada de Samara aponta para uma tentativa de ampliar a pauta de minorias e de inclusão no debate.

O nome do PSD — O PSD não lançou um candidato definitivo em 2022, mas para 2026 o panorama aponta para uma chapa própria, com o objetivo de oferecer uma alternativa de centro-direita desvinculada de Bolsonaro. O presidente da sigla, Gilberto Kassab, já sinalizou que o partido deve definir o nome em abril. Entre os nomes cotados estão o Ronaldo Caiado (GO), Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR), todos em atuação no segundo mandato em seus estados. Caiado, um nome histórico do “agro”, tem encontrado espaço para disputar a vaga, enquanto Leite e Ratinho Júnior também aparecem na linha de chegada, com diferentes capacidades de apoio e reconhecimento nacional.

Na prática, as leituras atuais mostram que esse conjunto de pré-candidatos tende a mexer no tabuleiro, especialmente no eixo centro-direita e na disputa pela rejeição de Lula. Não há garantias de que todos manterão o interesse até o registro definitivo no TSE, nem de que novas adesões não surjam nos próximos meses. O que já se observa é a busca por nomes que possam polarizar com Lula ou consolidar opções de centro, cada um trazendo uma bagagem diferente para o debate.

No fim das contas, a cena eleitoral de 2026 promete trazer uma disputa acirrada, com o eleitor tendo de navegar entre um nome de peso no campo progressista e várias alternativas de campo conservador e liberal, cada uma com seus prós e contras. O desafio é claro: de que forma esses desdobramentos vão se incorporar ao voto real nas urnas, no dia a dia dos brasileiros, nas conversas de família, no feed das redes sociais e nos debates que virão.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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