Maduro se declara inocente perante tribunal de Nova York
“Ainda sou presidente do meu país”, disse o venezuelano à Corte onde ele e sua esposa são julgados por acusações ligadas ao narcotráfico
Em uma audiência que chamou a atenção de leitores ao redor do mundo, Nicolás Maduro compareceu ao tribunal de Nova York nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, para reafirmar sua inocência diante de acusações que envolvem o narcotráfico. O momento aconteceu sob forte proteção, com o presidente venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, escoltados por guardas equipados com tecnologia tática, em uma operação que começou no Brooklyn e seguiu rumo ao tribunal em Manhattan, com o deslocamento em helicóptero. No auge da tensão, Maduro fez questão de deixar claro que seu papel no país continua. “Ainda sou presidente do meu país,” disse, imediatamente interrompido pela supervisão do magistrado.
As autoridades federais apontam Maduro como o chefe de uma rede de tráfico de drogas que manteria parcerias com grupos criminosos violentos, incluindo os cartéis mexicanos Sinaloa e Los Zetas, além das Farc colombianas e do grupo venezuelano Tren de Aragua. No total, o Ministério Público sustenta quatro acusações contra o venezuelano: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. Na prática, trata-se de uma avaliação antiga que ganhou novos detalhes na atualização formal do caso, apresentada ao público no fim de semana, com Cilia Flores também mencionada na lista de acusados.
Os promotores federais sustentam que Maduro teve atuação contínua no tráfico desde 2000, quando ainda atuava como parlamentar na Assembleia Nacional da Venezuela, passando pelo período como ministro do Exterior até a sua eleição em 2013 como sucessor de Hugo Chávez. Já a defesa nega as acusações, afirmando que tudo não passa de uma montagem para enfraquecer o governo venezuelano e seus objetivos estratégicos. Flores, por sua vez, também sustenta inocência.
Desde 2020, Maduro já figurava como indiciado em um caso de narcotráfico que envolve autoridades venezuelanas e guerrilheiros colombianos. O panorama atual sugere que o processo avança e que a próxima audiência está marcada para o 17 de março, com novas peças e depoimentos a serem apresentados. Mas, afinal, o que tudo isso muda na prática para quem observa de perto a política regional e as relações entre Estados? No dia a dia, continua sendo uma história de poder, geopolitica e acusações que se cruzam com interesses econômicos globais.
Maduro e Flores, enquanto parte de uma narrativa que cruza política, justiça e relações internacionais, repetem uma ideia central: as acusações são, segundo eles, uma fachada para interesses externos. E a audiência que se desenha no horizonte pode redefinir não apenas o destino de dois políticos, mas também o modo como o mundo observa a Venezuela e a sua trajetória.