Trump anuncia aporte de US$ 10 bilhões ao Conselho da Paz para Gaza
Anúncio foi feito durante a reunião inaugural da iniciativa criada para supervisionar os esforços de estabilização na Faixa de Gaza
Em meio a um cessar-fogo ainda considerado frágil entre Israel e o Hamas, o ex-presidente Donald Trump revelou, durante a inauguração de uma nova iniciativa, a criação do “Conselho da Paz” e o aporte de US$ 10 bilhões do lado norte-americano para financiar ações de estabilização na Faixa de Gaza. Segundo ele, o objetivo é dar início a uma operação que pode se estender para além de Gaza, com eventual cooperação mais estreita com a Organização das Nações Unidas.
Além do montante inicial, o anúncio aponta que outros US$ 5 bilhões foram aportados por membros do conselho — entre eles o Japão e outras nações presentes na reunião — que reuniu cerca de vinte líderes mundiais e altos funcionários. Ainda segundo Trump, a origem dos recursos poderia se expandir para sustentar operações futuras, mas ele não detalhou a fonte exata dessas verbas.
O anúncio, no entanto, suscitou resistência internacional e críticas de autoridades e analistas Palestinos, que questionam a representatividade da população de Gaza e o risco de diminuir o protagonismo da ONU em missões de paz. No contexto, o encontro realizado no United States Institute of Peace transcorreu em meio a controvérsias sobre o modelo de governança proposto pelo conselho.
Enquanto isso, a União Europeia enviou como representante a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica, porém o bloco informou que não aderirá formalmente ao novo organismo. A Rússia também ainda avalia sua posição de longo prazo, e o Vaticano confirmou que o Papa Leão XIV recusou o convite para integrar o conselho, reiterando que a ONU continua sendo o foro apropriado para a gestão de crises internacionais.
Entre os pontos de crítica, destacam-se a alegada falta de voz palestina na estrutura decisória sobre Gaza e a dúvida sobre como os interesses da população local serão efetivamente incorporados. Um órgão tecnocrático supervisionado pelo conselho ficaria responsável pelo dia a dia do território, sob liderança do funcionário palestino Ali Shaath, elemento que acende debates sobre a real autonomia dessa gestão.
No terreno, o cessar-fogo permanece formalmente em vigor, mas ataques aéreos continuam a ser registrados em Gaza. Israel e Hamas trocam acusações de violações do acordo, e a reconstrução enfrenta desafios logísticos e políticos significativos. Além disso, a desmilitarização do Hamas emerge como uma cláusula central das negociações, tema que permanece em impasse entre as partes.
De olho no futuro, Trump enfatizou que a iniciativa poderá atuar “muito além de Gaza” e, no entender dele, “em conjunto com a ONU”, mesmo que tenha criticado o desempenho da organização. “Acredito que isso pode se tornar uma ferramenta de paz em várias partes do mundo”, disse o ex-presidente.
Em resumo, o lançamento do Conselho da Paz provoca uma virada estratégica que mistura pragmatismo financeiro com grandes incertezas sobre governança, representatividade e impactos de longo prazo para o cotidiano das pessoas que vivem na região. No fim das contas, ainda é cedo para medir se essa iniciativa consegue transformar o cenário de instabilidade em uma via mais estável para a população.