Lula diz que ficará feliz se integrantes do governo deixarem cargos para concorrer às eleições de 2026
Política em foco: desincompatibilização, leitura de cenário e a expectativa de mudanças no governo antes do pleito
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro nesta quarta-feira que ficará satisfeito se membros do governo abrirem mão de seus cargos para disputar as eleições de 2026. De acordo com o calendário eleitoral, quem pretende se candidatar precisa se afastar até 3 de abril, cumprindo o prazo de seis meses antes do pleito. Na abertura da última reunião ministerial de 2025, Lula reforçou o tom pragmático da conversa ao afirmar: “Vou ficar feliz que aqueles que tiverem que se afastar para as eleições, se afastem… Aqueles que se afastarem, ganhem o cargo, não percam”.
Este encontro marca a terceira reunião do ano, já que as duas anteriores ocorreram em janeiro e agosto. No momento, o governo encara um tropeço na curva de recuperação das pesquisas. Em levantamento divulgado pela Genial/Quaest na última terça-feira, Lula aparece com aprovação de 48% e rejeição de 49%, mantendo-se estável frente ao registrado em novembro.
Além do presidente, participam da sessão o vice-presidente Geraldo Alckmin; o ministro da Casa Civil, Rui Costa; o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Sobre Haddad, já foi tornada pública a decisão de se desligar do cargo dentro do prazo de desincompatibilização, com a intenção de deixar o ministério no fim de fevereiro; na hipótese de não ser possível, ele sairá em março. O ministro já indicou o secretário-executivo, Dario Durigan, para sucedê-lo na função.
No dia a dia, a atmosfera do encontro traduz um movimento que mexe com o planejamento político rumo a 2026, ao mesmo tempo em que a gestão busca manter o ritmo de atuação diante das leituras de opinião. A discussão sobre quem permanece ou não em funções estratégicas, aliada ao prazo de desincompatibilização, influencia decisões futuras, investimentos e, claro, a agenda pública.
No fim das contas, resta acompanhar como as próximas semanas vão definir quem fica e quem abre espaço para o ciclo eleitoral que se aproxima. O cenário indica que o governo pretende manter o pente fino sobre cargos-chave, ao mesmo tempo em que prioriza a continuidade de políticas públicas em meio a um cenário de números equilibrados entre aprovação e desaprovação.