Bolsonaro leva atleta à suspensão de competição

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Fala sobre Bolsonaro faz atleta ser suspensa de competição

Atleta é punida pela federação internacional após comemorar prisão do ex-presidente em entrevista oficial durante Mundial

Carol Solberg, atleta brasileira de vôlei de praia, recebeu uma suspensão da FIVB por ter feito uma manifestação política durante o Mundial disputado na Austrália, em novembro de 2025. A punição foi anunciada pela entidade e envolve uma sanção automática para o próximo compromisso do Beach Pro Tour, no Elite 16 de João Pessoa, marcado de 11 a 15 de março de 2026. A decisão aponta para uma punição direta que impede Solberg de competir nesse evento inicial da temporada internacional.

Na prática, a etapa em casa não rende pontos para a corrida olímpica ainda, mas a falta de participação pode trazer impactos relevantes. Isso porque, na visão da organização, apenas as duplas mais bem colocadas terão acesso às fases que somam pontos valiosos para a classificação olímpica, abrindo mão de uma oportunidade sustentar o desempenho diante do público brasileiro.

Sobre o episódio, Carol descreveu o momento como significativo e, em tom de reconhecimento, que a prisão do ex-presidente deveria ser celebrada. A fala, dada em inglês e reiterada em português, acabou entranhando discussões internacionais, culminando na abertura do processo disciplinar que resultou na suspensão para o próximo torneio.

Segundo o comunicado da Federação, a jogadora teria infringido o Artigo 8.3 do Regulamento Disciplinar, que trata de conduta antidesportiva e de comportamentos que possam trazer descrédito ao voleibol e à própria federação. A punição aponta justamente para a violação desse dispositivo, justificando a suspensão automática para a etapa que estaria prevista em João Pessoa.

Até o momento, não houve pronunciamento oficial por parte de Carol Solberg, da FIVB ou da CBV sobre a decisão. A medida, no entanto, acende o debate sobre limites entre expressão pública e conduta dentro do esporte, principalmente em eventos com ampla exposição midiática.

Nunca é demais lembrar que não é a primeira vez que a atleta envolve-se em polêmicas ligadas a manifestações políticas. Em 2020, ela foi denunciada ao STJD por ter gritado “fora Bolsonaro” após uma partida do Circuito Brasileiro. Na ocasião, a jogadora acabou absolvida, um veredito que ela descreveu como uma vitória de liberdade de expressão e um estímulo para que atletas se posicionem como cidadãos.

Mesmo diante da suspensão, a temporada de 2025 manteve Solberg em evidência dentro das quadras: ao lado da parceira Rebecca, a brasileira conquistou o bronze no Mundial e encerrou o ano na liderança do ranking mundial, além de ter sido eleita Atleta do Ano no vôlei de praia pelo Prêmio Brasil Olímpico. No dia a dia, esse conjunto de resultados reforça a ideia de que desempenho pode coexistir com posicionamentos públicos — e que, no esporte, cada decisão tem consequência.

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Jornalista

Fernanda Costa

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