O que as pesquisas mostram sobre o potencial pouco explorado de Michelle Bolsonaro
Diretor da Atlas Intel diz que ex-primeira-dama tem carisma mais próximo de Jair Bolsonaro e atrativo decisivo entre evangélicos
Nesta fase de consolidação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, o tabuleiro político olha para um nome da família que pode acrescentar uma nova dimensão à direita: Michelle Bolsonaro. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, da VEJA, o diretor de risco político da AtlasIntel, Yuri Sanches, aponta que o desempenho da ex-primeira-dama em cenários de segundo turno revela um potencial ainda pouco explorado pela direita. Na prática, Michelle surge com indicações de alrededor de 45% contra 49% de Lula, um retrato que se equipara ao de Flávio e de Tarcísio de Freitas nos embates de 2º turno.
Para Sanches, porém, o diferencial não está apenas nos números. O que pode fazer a diferença, segundo ele, é o carisma — especialmente entre os eleitores evangélicos, núcleo essencial para manter o bolsonarismo competitivo. Ele aponta que a capacidade de persuasão e a presença pública de Michelle hoje podem estar mais próximas de Jair Bolsonaro do que do próprio Flávio, o que reforça a ideia de que o discurso e a imagem da família ainda moldam o embate eleitoral de forma decisiva.
Essa leitura dialoga com a avaliação de Mauro Paulino, especialista em eleições e opinião pública, que vê 2026 novamente marcado pelo peso do carisma. O tema volta a ocupar o centro da disputa, com a aposta de que esse atributo pode compensar lacunas de outras frentes e manter a base de apoio mobilizada, mesmo diante de rivais com maior apelo institucional. Em resumo: o conjunto de símbolos e a conexão com o público são vistos como parte central da equação eleitoral.
Do ponto de vista estatístico, a Atlas projeta que Flávio Bolsonaro já estaria chegando perto de 35% no primeiro turno, com o teto estimado em menos de 40%. O desafio, segundo o estudo, está em desconstruir a rejeição associada ao sobrenome, um obstáculo que ainda pesa na percepção do eleitorado e pode limitar o crescimento da direita. Nesse cenário, Michelle aparece como uma variável estratégica cuja força simbólica pode vão além de um nome alternativo: a percepção de que sua presença pode diminuir a rejeição ao sobrenome e ampliar o alcance do bolsonarismo para além da base mais fiel.
Enquanto Lula mantém um patamar estável de 49% nos cenários de segundo turno — conforme a Atlas —, a direita continua calibrando sua aposta para 2026. Se a transferência de votos pelo sobrenome funciona como gatilho, é justamente o carisma quem pode determinar a diferença decisiva na fase final da eleição. A leitura de especialistas, portanto, aponta não apenas para números, mas para a capacidade de Michelle de mobilizar um espaço que ainda não foi explorado pela configuração atual do campo político.
No dia a dia, isso se traduz em uma avaliação mais pragmática: vestígios de estratégia, identificação com um eleitorado específico e a possibilidade de ampliar o alcance do movimento. O que importa, no fim das contas, é entender como a combinação entre transferência de votos, rejeição ao sobrenome e o magnetismo pessoal pode redefinir o patamar da direita na próxima eleição presidencial. E, nesse contexto, Michelle Bolsonaro surge como uma peça que pode, de fato, fazer a diferença na reta final.