Como a maioria dos venezuelanos vê a intervenção americana
Por ora, entrevistados em pesquisa de opinião parecem surpreendentemente otimistas em relação aos EUA e ao grande interesse no petróleo do país
Pouco mais de um mês após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na detenção de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, hoje presos e aguardando julgamento por tráfico de drogas em Nova York, o Parlamento venezuelano abriu o debate sobre um projeto de anistia que cobre quase três décadas de chavismo no poder.
Paralelamente, o setor petrolífero vem ganhando fôlego com a sanção da Lei de Hidrocarbonetos pela presidente interina Delcy Rodríguez. A legislação revoga a nacionalização de 1976 e sinaliza uma mudança de rumo, abrindo espaço para o funcionamento de empresas privadas com maior flexibilidade de royalties e menor carga tributária — tudo escrito para atrair os cerca de 10 bilhões de dólares em investimentos que Washington deseja ver aportarem nas petroleiras americanas.
A própria Delcy Rodríguez, caprichando na arte de mandar recado para todos os lados na mesma frase, declarou que “a Venezuela amadureceu com o impacto da agressão dos Estados Unidos” e elogiou os canais de diálogo abertos, citando a possível reabertura da embaixada norte-americana e até a recepção elogiosa ao diretor da CIA, John Ratcliffe, em Caracas. No dia a dia, esse movimento dialogado encontra eco entre parte da população.
Segundo a pesquisa citada, apenas 13% dos entrevistados se opuseram, ainda que de leve, à detenção de Maduro; o dado mais surpreendente é que mais da metade afirmou que a imagem dos EUA melhorou após a operação.
No cotidiano, a percepção parece de otimismo em relação aos planos do governo Trump e ao interesse norte-americano no petróleo venezuelano. Cerca de metade dos respondentes apoia alguma forma de governança dos EUA, enquanto 18% se dizem contrários. Sobre quem deve comandar a indústria, a divisão é mais acirrada: pouco mais de 25% apostam no governo americano, aproximadamente 33% ficam com o venezuelano e quase 30% apontam para empresas privadas.
- Quem deveria comandar a indústria petrolífera: governo americano, venezuelano ou empresas privadas
- Impactos sobre impostos, royalties e investimentos
- Perspectivas de diálogo e relações com Washington
Sob a nova Lei de Hidrocarbonetos, a PDVSA continua a existir, mas empresas privadas poderão operar no setor de forma independente, com royalties mais flexíveis e impostos menores — uma estratégia para atrair os 10 bilhões de dólares em investimentos que se pretendia trazer das petroleiras norte-americanas.
Em síntese, o cenário sugere uma abertura para transformar a indústria do petróleo venezuelano, ainda que as estruturas de poder, direitos trabalhistas e impactos sociais permaneçam em debate no país.