Vídeo vazado expõe segredos da cúpula chavista e ameaça à líder interina da Venezuela
Na gravação, Delcy Rodríguez afirma que aceitou exigências americanas sob risco de morte e autoridades criticam ‘chavistas radicais’
Um vídeo divulgado de forma clandestina revela os bastidores da cúpula chavista nas semanas que se seguiram à captura de Nicolás Maduro pelas forças americanas. O registro coloca em foco a presidente interina, Delcy Rodríguez, e aponta para uma tensão constante entre a retórica anti-EUA e pressões por acordos secretos que visariam manter a estrutura de poder.
No áudio, Delcy afirma ter aceitado um ultimato de 15 minutos dos Estados Unidos para cooperar, sob o risco real de ser morta. A gravação mostra uma reunião com influenciadores alinhados ao regime, conduzida pelo então ministro das Comunicações, Freddy Ñáñez, em que se busca consolidar a unidade diante de rumores e boatos que afrouxam a base governista.
Um dos trechos centrais traz Delcy participando por telefone, em viva-voz, enquanto o grupo discute a necessidade de manter a linha de frente diante das perguntas sobre o que aconteceu com Maduro. Segundo ela, as autoridades americanas teriam definido o prazo de 15 minutos para que ela, o ministro do Interior Diosdado Cabello e o presidente do Congresso Jorge Rodríguez respondam às exigências — sob ameaça de fatalidade. Ou nos matariam, diz a fala citada no vídeo.
Antes de colocar Delcy no viva-voz, Ñáñez faz um apelo direto para que influenciadores interrompam “fofocas, rumores e tentativas de desacreditá-la”, destacando que a presidente interina é peça-chave para evitar o colapso do regime e facilitar uma reorganização do chavismo após a captura de Maduro.
- Ultimato de 15 minutos para cooperação com Washington
- Delcy no viva-voz, com Freddy Ñáñez mediando a conversa
- Medidas para evitar boatos e manter a base unida
O vídeo também expõe o temor da cúpula governista de ser acusada de traição por negociar com Washington. Ñáñez reforça a ideia de que manter a narrativa sob controle é essencial para evitar desfechos imprevisíveis, enquadrando a cooperação com os EUA como parte de uma estratégia já desenhada pelo próprio Maduro.
Especialistas consultados pela imprensa internacional dizem não ser possível confirmar a veracidade da ameaça de morte descrita no material. Ainda assim, para analistas, o conteúdo pode funcionar como instrumento para manter a coesão entre setores da base chavista justamente em um momento de fragilidade institucional.
Dias após a reunião gravada, Ñáñez foi deslocado para o Ministério do Meio Ambiente, e seu substituto criou um novo perfil nas redes para “defender a verdade sobre a Venezuela”, sinalizando que o esforço para controlar a narrativa permanece central para o regime.
No desdobramento recente, Delcy passou a adotar um discurso mais duro contra os Estados Unidos em canais oficiais e redes sociais, ao mesmo tempo em que, nos bastidores, cumpre exigências da Casa Branca. Autoridades americanas sinalizam que ela deve viajar em breve a Washington. Em paralelo, Trump anunciou que empresas dos EUA começarão a perfurar petróleo na Venezuela “em breve” e afirmou que o país já detém milhões de barris de petróleo venezuelano sancionado após a captura de Maduro — uma leitura parcial de que os acontecimentos se cruzam com interesses energéticos e políticos de longo prazo.
No fim das contas, o material parece servir como um termômetro da tensão entre narrativas oficiais e pressões internacionais, além de mostrar como a cúpula chavista tenta sustentar um projeto político em meio a uma crise que parece ganhar novas camadas a cada dia. Mas o que isso muda na prática para a vida cotidiana do leitor? No dia a dia, a pergunta persiste: até onde a comunicação pública consegue mascarar fragilidades profundas em regimes estáveis há décadas?