Bolsonaro na mira de desfile dedicado a Lula: entre jacarés, palhaços e Bozo
Acadêmicos de Niterói apresenta no domingo, 15, o enredo Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil
Em clima de Carnaval, a Acadêmicos de Niterói chega pela primeira vez ao Grupo Especial com uma proposta de leitura da história nacional pelo olhar do samba. No domingo, 15, a partir das 22h, a escola carioca abre a folia com o enredo Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil. Ao todo, o projeto mobiliza 25 alas, 5 carros alegóricos e 3.100 componentes, reunidos para contar uma narrativa que mistura memória, identificação e celebração do trabalhador brasileiro.
No coração do enredo, a concepção sugere uma trajetória de Lula como operário e liderança popular, conectando lutas sociais a um retrato de seu caminho político. No dia a dia do samba, a ideia é oferecer ao público uma leitura que combine ritmo, cores e histórias reais, sem perder o tom de espetáculo que envolve o Carnaval.
Por outro lado, a montagem reserva espaço para o que já se tornou pauta de bastidores: há um setor dedicado a Jair Bolsonaro, com uma cenografia que inclui uma grande escultura do palhaço Bozo e uma figura monstruosa que busca simbolizar os próprios anos em que o PT ficou sem a gestão do país. Além disso, está prevista uma ala que faz menção à pandemia de 2020, com figurinos que aludem aos jacarés usados por defensores de determinadas leituras sobre vacinas. No ensaio técnico de sexta-feira, 30, vários carros já exibiram LEDs com memes que satirizavam o ex-presidente.
A presença de Bolsonaro na Sapucaí, em diferentes momentos da trajetória política brasileira, não é novidade para o Carnaval. Em 3 de março de 2003, durante o desfile da Beija-Flor de Nilópolis, a última alegoria integrou uma leitura social ligada a temas como fome, evocando políticas daquele período. Em 22 de fevereiro de 2009, Lula compareceu ao Sambódromo na madrugada do desfile das escolas do Grupo Especial, acompanhado pela primeira-dama e familiares, chegando a participar de um momento de reverência para uma cerimônia privada de um padrinho de casamento de Neguinho da Beija-Flor, antes do desfile. Já na campanha de 2022, o ex-presidente veio ao Rio para encontros com sambistas na quadra da Unidos da Tijuca, na presença de dirigentes do carnaval, assumindo a promessa de retornar à Sapucaí — agora, de fato, como homenageado.
No fim das contas, o enredo da Acadêmicos de Niterói se apresenta como símbolo de como o Carnaval carioca se transforma em palco para debates, memória e entretenimento. A combinação de elementos festivos com referências históricas costuma gerar leitura plural: para alguns, celebração do papel do trabalhador; para outros, um recorte que lembra episódios políticos passados. E você, o que espera ver nesse desfile que promete provocar o público?