Eduardo Bolsonaro busca vaga na PF, diz não poder voltar ao Brasil

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Eduardo Bolsonaro diz que vai lutar por cargo na PF, mas ‘não tem condição’ de voltar ao País agora

PF determinou que ex-deputado Eduardo Bolsonaro volte ao cargo de escrivão após ter mandato cassado na Câmara

Em meio a uma temporada de tensão entre figuras públicas e instituições, Eduardo Bolsonaro reaparece defendendo a continuidade do vínculo com a Polícia Federal. Em vídeo divulgado nesta sexta-feira, ele afirma que não tem condição de retornar ao Brasil neste momento, mas destaca que não pretende abrir mão do cargo que ocupa na PF. O ex-deputado coloca em xeque as adversidades do cenário político, deixando claro que pretende lutar pela oportunidade de atuar na corporação, mesmo com o atual panorama de cassação de mandato e críticas às estruturas que o cercam.

A posição ganha corpo a partir de uma portaria da Diretoria de Gestão de Pessoas da PF, publicada na manhã desta sexta, 2, que determina o retorno imediato do ex-parlamentar ao posto de escrivão na Delegacia de Polícia Federal de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro — função que ele ocupava antes de se eleger à Câmara. A medida marca uma reacomodação funcional que volta a colocar Eduardo no cotidiano de uma instituição da qual ele fez parte antes da vida pública.

No registro em vídeo, Eduardo explica que, por ora, não consegue retornar ao Brasil, citando a situação envolvendo o pai, Jair Bolsonaro, que precisou retornar à carceragem da PF em Brasília depois de passar por cirurgias. O ex-presidente, por sua vez, recebeu alta na véspera e retomou a pena de 27 anos a que foi condenado no arcabouço de ações relacionadas ao período anterior ao governo de 2022. Além disso, o ex-parlamentar repete a ideia de que é alvo de perseguição e volta a criticar a condução da corporação, insinuando que há forças que interferem no andamento de seu concurso público.

Durante a fala, Eduardo também reforça a posição de não abrir mão de privilégios parlamentares para acomodar decisões administrativas da PF, o que ele descreve como um embate direto com a cúpula da instituição. Embora a narrativa contenha argumentos de defesa de seus direitos, o tom aponta para uma tensão maior entre a família Bolsonaro e as estruturas do Estado, alimentando a leitura de uma briga pública que atravessa esferas distintas do poder.

A conjuntura não fica apenas no âmbito da PF. A Câmara dos Deputados já havia cassado o mandato de Eduardo por faltas, o que desencadeou o processo que resultou na cessação do afastamento para o exercício do mandato a partir de 19 de dezembro. No cotidiano, isso acrescenta uma camada de complexidade à vida do ex-parlamentar, que tenta manter relevância profissional enquanto navega por decisões administrativas e judiciais que moldam sua trajetória pública.

No pano de fundo, a referência ao pai continua presente. Jair Bolsonaro voltou a cumprir a sua pena em meio a momentos de alto desgaste político e jurídico, o que reforça a percepção de que a família permanece no centro de uma tempestade institucional. A narrativa ascendenta aponta para uma relação estreita entre as ações da PF e as estratégias de comunicação da legenda, gerando impacto direto na percepção pública sobre a atuação de figuras ligadas ao antigo governo.

Na prática, o episódio desenha um retrato de como disputas entre poder, instituições e carreira profissional podem ganhar contornos perceptíveis para o cidadão comum. E mesmo com as promessas de continuidade na PF, fica a dúvida sobre o que realmente acontecerá daqui para frente. No fim das contas, o leitor pode levar a ideia de que esse enredo não se resume a uma simples mudança de cargo, mas reflete conflitos mais amplos entre quem define políticas públicas e quem administra as portas de uma das principais forças de segurança do país.

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Jornalista

Lucas Almeida

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