Ibovespa avança e bate recorde após sinais de cortes de juros no Brasil e nos EUA
Por volta das 11h30, o Ibovespa avançava 0,61%, aos 185.814,31 pontos
Na manhã desta quinta-feira, o mercado brasileiro manteve o radar voltado para a política monetária, com sinais de que o ritmo de cortes pode ganhar fôlego nos próximos meses. Às 11h30, o Ibovespa registrava crescimento de 0,61%, orbitando próximo aos 185.814,31 pontos, em um dia de leitura cuidadosa dos comunicados do Copom e do Fed. No dia a dia, a tendência de risco parece resiliente, sustentada pela percepção de que a normalização das políticas de juros pode favorecer ativos de maior risco.
No fronto doméstico, o Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva, mas enfatizou que qualquer redução dependerá de como a inflação evolui e de fatores econômicos e geopolíticos. Já nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve as taxas, porém as votações divergentes deixaram uma porta entreaberta para cortes de juros ainda neste ano, sinalizando um caminho de afrouxamento gradual no cenário de juros.
Enquanto isso, o dólar recuou 0,47%, caindo para R$ 5,169 no pregão, o que ajuda a manter o humor de risco no mercado externo. O Ibovespa, por sua vez, já havia alcançado a marca dos 186 mil pontos durante a abertura, registrando um recorde nominal intradiário. No entanto, ao longo do dia, o ritmo de alta cedeu um pouco, e o índice passou a oscilar entre ganhos e perdas, renegociando o terreno conquistado.
No cenário de expectativas, o tom do Copom já sinalizava que a flexibilização monetária pode começar, mas com cautela. O comunicado ressaltou que o ritmo e a magnitude do ciclo de cortes devem permanecer sob avaliação, dado o elevado nível de incerteza econômica e geopolítica. Diversos analistas destacaram que o caminho para a Selic envolve uma trajetória gradual de queda, mantendo a inflação sob controle para convergir à meta.
Para entender os prognósticos, vale ouvir a opinião de especialistas. Cristiano Oliveira, da Banco Pine, aponta que a decisão e o tom do comunicado foram adequados, sugerindo uma redução da taxa real de juros de forma gradual e conservadora, mantendo a política monetária no terreno restritivo. A XP Investimentos, por sua vez, projeta um cenário com cortes começando em março e uma pausa na segunda metade do ano para reavaliar o cenário econômico. Já o Daycoval destaca que a ideia de iniciar o ciclo de cortes, mantendo a Selic ao redor de 12,50% no médio prazo, aparece como um cenário consistente com desafios fiscais esperados para o próximo mandato.
No balanço de ativos, a percepção de que a Selic mais baixa pode reduzir a atratividade da renda fixa aumenta o apetite por ações. Hoje, o Ibovespa já acumula expressiva alta no mês de janeiro, enquanto o CDI projeta ganhos em torno de 1,24% no período, fortalecendo a ideia de que a bolsa pode se beneficiar da compressão de juros. Com o cenário de juros em queda no curto prazo, o mercado se torna mais propenso a buscar ativos de maior risco, elevando as possibilidades de ganhos para quem está posicionado na bolsa.
No front externo, o Fed manteve a faixa de juros entre 3,5% e 3,75%, com o comunicado destacando a pausa nos cortes diante da continuidade da atividade econômica firme e da inflação ainda elevada. Ainda assim, a leitura de que alguns membros apoiavam cortes futuros alimentou a aposta de que o ciclo de aperto monetário pode ganhar fôlego em 2026. Segundo a plataforma FedWatch, a maioria do mercado ainda antevê uma trajetória de cortes adicionais ao longo do ano, com 60% de probabilidade de um ajuste de 0,25 ponto percentual na reunião de junho. E as expectativas, em linhas gerais, apontam para um viés de cortes mais amplos até o fim de 2026, mantendo a taxa final entre 3% e 3,25% ao ano.
Em síntese, o pregão desta quinta-feira reforça a leitura de que investidores continuam buscando ativos de risco para compensar a possibilidade de juros menores à vista. Nesse cenário, a aproximação dos 200 mil pontos no Ibovespa aparece cada vez mais realista para quem acompanha o mercado com visão de médio prazo.