Evento em SP tem troca de farpas entre Tarcísio e Mercadante
Presidente do BNDES exaltou Lula, citou golpismo e ouviu governador criticar governos envolvidos em corrupção
Em São Paulo, a cerimônia de entrega do primeiro trecho do Rodoanel Norte virou palco para uma troca de elogios e críticas entre representantes do governo federal e estadual. Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e indicado por Lula, discursou exaltando a atuação do petista e mirou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) por, segundo ele, minimizar a participação do banco no financiamento da obra. “Estou aqui porque 1/3 do custo da obra, cerca de R$ 1,35 bilhão, tem origem no BNDES. Não se trata de uma simples placa, mas de crédito que ajuda a pavimentar o futuro do estado”, explicou o dirigente, destacando que a parceria entre União, estados e municípios é essencial para realizar mais ações no longo prazo.
Durante o discurso, Mercadante também elogiou Mario Covas, lembrando o ex-governador pela sua defesa da democracia e do estado de direito. Segundo o presidente do BNDES, Covas foi perseguido pela ditadura e, mesmo diante de adversidades, manteve o compromisso com o funcionamento institucional. “Ele representa uma trajetória de compromisso com a democracia, com a legalidade e com o desenvolvimento do país”, enfatizou. Mercadante completou apontando que, em suas palavras, é preciso reconhecer parcerias que impulsionem obras como essa para o futuro.
O tom das falas de Mercadante chamou menos aplausos do público, mas o enfoque no equilíbrio entre crédito público e investimentos foi o fio condutor. Em tom político, o dirigente citou números que, segundo ele, marcaram a atual gestão federal, como a menor taxa de desemprego da história e o recorde de pessoas empregadas no país. “Brigar com fatos não resolve”, resumiu, reforçando a narrativa de que o contexto econômico positivo é resultado de políticas públicas consistentes.
Na sequência, o governador Tarcísio de Freitas subiu ao púlpito e, sem citar nomes, fez referência a obras no estado que, segundo ele, deveriam ter ficado prontas já em 2016. O assunto ganhou contorno de denúncia, com a acusação de que a corrupção — mencionada pela Lava Jato — deixou a Dutra e outras intervenções paradas. “Sobre essa obra houve um grande entrave causado pela corrupção”, afirmou, alinhando-se à linha de que problemas de gestões anteriores atrasaram projetos importantes para o estado.
Já no encerramento de seu discurso, Tarcísio frisou que o avanço da obra só foi efetivado durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, destacando a etapa de concessão, leilões e contratos firmados, sob a ótica de quem defendia que o caminho para o progresso envolve decisões firmes e ações assertivas. “Rodovia concedida, pensada, trabalhada, projetada, licitada, leiloada, com contrato assinado, na gestão do presidente Bolsonaro”, declarou, sintetizando o posicionamento de que o ritmo de execução depende de escolhas políticas decidiram pelo maior impulso de infraestrutura no estado.