Lula diz ser amigo de Motta e Alcolumbre e confia na aprovação de Messias no Senado
Presidente afirma respeito às decisões da Câmara, do Senado e da Suprema Corte e fala sobre a indicação de Jorge Messias para o STF
BRASÍLIA — Em entrevista ao SBT News, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou manter uma relação cordial com os atuais chefes do Legislativo. “Eu sou amigo do Davi, eu sou amigo do Hugo Motta”, disse, ressaltando que não houve qualquer afastamento entre o Executivo e o Congresso. Ele ainda destacou que o governo conseguiu aprovar 99% de tudo o que enviou ao Congresso Nacional, em meio a um âmbito político considerado adverso.
Na prática, Lula lembrou que, mesmo com uma maioria contrária na Câmara e no Senado, conseguiu avanços relevantes em seus dois primeiros mandatos, o que, segundo ele, demonstra uma evolução importante diante de um cenário desafiador. Além disso, ele ressaltou a necessidade de costurar alianças para manter as pautas do governo em curso.
“O milagre da democracia”, apontou, ao comentar as conversas que permitiram chegar a consensos até o fim para convencer os parlamentares. Ele reforçou que todos os projetos enviados foram de interesse da sociedade e do Brasil, citando a reforma tributária como exemplo de mudança histórica desejada há décadas e, ainda assim, promovida em um Congresso considerado adverso.
Sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula comentou o episódio envolvendo uma decisão que autorizou uma operação na Câmara contra Mariângela Fialek, responsável pela distribuição de emendas, ex-assessora do deputado Arthur Lira. O petista lembrou que quase todos os ministros foram indicados por ele e enfatizou que não houve interferência em votos. “Se eu tivesse interferência na Suprema Corte, eu estaria preso há 580 dias? A verdade é que a Suprema Corte é totalmente independente e autônoma”, afirmou, acrescentando que as decisões do STF são prerrogativa exclusiva dos ministros, não do presidente.
Ele ainda ressaltou que respeita as decisões das três instâncias e que deseja que os órgãos filiados atuem com a mesma autonomia que ele defende para o Executivo. “Respeito a autonomia de cada ente federado, de cada instituição brasileira”, completou, destacando que qualquer intervenção não faz parte da prática do governo.
Quanto ao futuro, Lula sinalizou confiança em Jorge Messias para a continuidade da atuação da União no âmbito jurídico. Messias, indicado ao cargo em 20 de novembro, teve a sabatina e a votação pelo Senado adiadas para 2026, em função da resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O presidente reforçou que viu no ex-advogado-geral da União um profissional excepcional, capaz de defender o Estado brasileiro com seriedade e serenidade, mencionando ainda que a escolha segue uma linha histórica de indicações importantes, como Gilmar Mendes e Toffoli, feitas por diferentes administradores. “Ele merece estar lá e pode se fortalecer ainda mais”, concluiu.
No conjunto, a avaliação é de que essa maioria de negociações e acordos revela uma prática de governança que envolve diálogo e compromisso com reformas estruturais, mesmo com divergências políticas. E no dia a dia, fica a sensação de que é preciso manter esse equilíbrio entre frear excessos e avançar com o que é essencial para a população.