Zelensky diz que EUA dão 15 anos de garantias de segurança à Ucrânia

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EUA oferecem 15 anos de garantias de segurança à Ucrânia, diz Zelensky

Presidente ucraniano afirma que pediu garantias por até 50 anos em reunião com Donald Trump, negociações para fim da guerra entram na fase final

As negociações para encerrar o conflito entre Rússia e Ucrânia ganharam fôlego nas últimas semanas e já são descritas como fase final por autoridades de Washington e Moscou. Embora o tom tenha ficado mais otimista com declarações de Donald Trump e do Kremlin, os pilares centrais do embate — território, garantias de segurança para a Ucrânia e o destino da usina de Zaporizhzhia — permanecem sem uma solução clara. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou que aceitou discutir um plano de paz baseado em 20 pontos apresentados pelos EUA, que incluem garantias de segurança dos Estados Unidos por 15 anos. Zelensky chegou a pedir compromissos por até 50 anos, argumentando que o conflito atual é uma continuação da crise iniciada em 2014, com a anexação da Crimeia e o estouro dos confrontos no leste do país.

Segundo Trump, o acordo estaria “95% pronto”, mas ainda depende da resolução de uma ou duas questões difíceis a serem definidas. O otimismo de Washington contrasta com a leitura cautelosa de Moscou, que admite avanços, porém mantém exigências vistas como maximalistas por analistas ocidentais, aumentando as dúvidas sobre a viabilidade de uma paz duradoura. Um dos pontos mais sensíveis continua sendo a presença de tropas estrangeiras na Ucrânia após o fim do conflito.

Entre os entraves, a presença de forças internacionais é objeto de debate. Países europeus, como França, Reino Unido e Alemanha, já sinalizaram disposição para liderar uma força multinacional com apoio dos EUA. A Russia, no entanto, rejeita essa possibilidade, o que complica o desenho de uma possível garantia coletiva de segurança para a Ucrânia.

Território: o obstáculo central das negociações. Moscou controla cerca de 75% da região de Donetsk e quase toda a vizinha Luhansk. O Kremlin defende que Kiev retire suas tropas das áreas que ainda controla no Donbas como condição para a paz, sob a ameaça de perder mais território caso resista. Zelensky rejeita a proposta e assevera que qualquer solução precisa respeitar a legislação ucraniana e a vontade da população. O tema também aparece entre as tratativas públicas, com Trump reconhecendo a dificuldade e admitindo que ainda não há consenso sobre a criação de uma zona desmilitarizada na região central do conflito.

Zaporizhzhia, a usina nuclear mais relevante da Europa, continua indefinida. Embora a maioria da comunidade internacional reconheça a usina como parte do território ucraniano, Moscou afirma que ela pertence à Rússia e é operada pela Rosatom. Trump afirmou que Putin estaria disposto a cooperar para reabrir a usina, que hoje não produz energia e depende de fornecimento externo para evitar um acidente nuclear. O plano americano prevê uma gestão conjunta entre EUA, Rússia e Ucrânia, mas Kiev resiste à ideia de dividir o controle com Moscou.

Próximos passos: Zelensky sugeriu que Kiev, nos próximos dias, convoque uma reunião entre representantes da Ucrânia, dos EUA e da Europa para consolidar um quadro comum antes de qualquer encontro direto com a Rússia. Um diálogo direto entre Zelensky e Vladimir Putin só ocorreria após esse alinhamento, segundo o presidente ucraniano. Enquanto as negociações avançam no âmbito diplomático, os confrontos prosseguem no terreno. A Rússia afirma ter conquistado novas posições no leste do país, reforçando a percepção de que negocia a partir de uma posição miltarmente favorável. O contraste entre a retórica de proximidade da paz e a realidade de disputas centrais sugere que, embora o fim do conflito possa estar mais próximo do que em anos anteriores, o acordo final tende a ser frágil e politicamente custoso para todas as partes envolvidas.

No fim das contas, o desfecho depende de muitos atores, com impactos diretos para a geopolítica global e para a vida cotidiana de quem acompanha de perto esse drama.

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Jornalista

Mariana Silva

Personal organizer que adora soluções práticas para casa. Especialista em maximizar espaços pequenos com produtos inteligentes.

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