Venezuela comemora título mundial do beisebol nas ruas de Caracas
Seleção venceu EUA na final do World Baseball Classic, dois meses após captura de Maduro por governo Trump
Foi uma noite histórica para o beisebol venezuelano. Venezuela levou o título da World Baseball Classic ao vencer os Estados Unidos por 3 a 2 na final, disputada em Miami, o que coroou uma campanha emocionante e cheia de reviravoltas. A vitória acabou virando celebração pelas ruas de Caracas, com feriado nacional decretado pela liderança local e um desfile que terminou na Plaza de la Juventud, com shows ao vivo e queima de fogos que marcaram o momento.
No dia a dia, a festa ganhou contornos políticos, puxados por um cenário internacional tenso. Dois meses antes, circulou a notícia de uma operação do governo dos EUA que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. Em meio ao clima festivo, Donald Trump tentou temperar a vitória venezuelana nas redes, sugerindo, de forma provocativa, que a Venezuela poderia virar um estado extra dos Estados Unidos. Ainda que o foco tenha sido o esporte, esse pano de fundo acrescentou uma camada de dramaticidade à conquista.
Como foi o jogo, afinal? A Venezuela abriu o placar no topo da terceira entrada com uma rebatida de sacrifício de Maikel García que autorizou Salvador Pérez a marcar. No topo da quinta, Wilyer Abreu conseguiu um homerun que deixou o placar em 2 a 0. A reação dos EUA veio pouco depois, quando Bryce Harper, com Bobby Witt Jr. na primeira base, anotou um homer para empatar a partida. O duelo seguiu decidido no 9º inning, empatado em 2 a 2, até que Javier Sanoja, que entrou como corredor na primeira, roubou a segunda e avançou a jogada. A revisão de campo foi mantida, e Eugenio Suárez foi quem, com um hit oportuno entre os defensores, levou Sanoja à reta final da corrida: 3 a 2 para a Venezuela.
Caminho até a grande decisão: o percurso de cada seleção também ajuda a entender o drama. Na fase de grupos, a Venezuela ficou em segundo lugar, atrás da República Dominicana, mas não se intimidou diante do então campeão Japão. Avançou vencendo o Japão nas quartas de final e derrotando a Itália na semifinal. Do outro lado, o favoritismo parecia, por ora, com os EUA: os norte-americanos passaram o grupo em segundo lugar, após uma derrota para a Itália, e seguiram com vitórias sobre o Canadá nas quartas de final e sobre a República Dominicana na semifinal, antes do encontro decisivo com a Venezuela.
No fim das contas, a vitória de uma equipe que coloca o beisebol no coração da nação representa mais do que um título. É a celebração de um esporte que une torcedores, famílias e comunidades inteiras, especialmente em um momento em que o cenário político mundial se mostra marcado por tensões. E para quem gosta de curiosidades de bastidores, fica a lembrança de que, em meio ao calor da final, o gol de efeito da trajetória venezuelana foi a combinação de garra, talento de jovens jogadores e um espírito de união que transparece nas ruas de Caracas.