Revelados os venezuelanos com bens congelados na Suíça
Já se sabia que os bens de Maduro na Suíça estão congelados desde 5 de janeiro, por suspeita de origens ilícitas. Foram revelados os nomes dos outros 36 venezuelanos visados. Não se conhecem valores.
Uma notícia que chega com muitos detalhes veio à tona pela organização de oposição no exílio Transparencia Venezuela. Em pleno contexto de medidas anunciadas pelo Conselho Federal suíço, a lista aponta para um conjunto de autoridades, empresários e integrantes da elite que cercam o atual e o ex-regime venezuelano. O objetivo declarado é impedir que ativos obtidos de forma ilícita transitem ou permaneçam nas mãos de pessoas politicamente expostas, protegendo o sistema financeiro suíço de trilhas duvidosas.
No epicentro do movimento está Nicolás Maduro, já conhecido por constar entre os visados, acompanhado pela esposa Cilia Flores, figura-chave da vida política, familiares do presidente deposto e outros nomes de peso da maquinaria chavista. A divulgação inicial, até 27 de janeiro, revelava apenas Maduro; porém, o comunicado original já indicava que “outras pessoas associadas” ao ex-presidente teriam seus bens congelados com efeitos imediatos. Em seguida, a Transparencia Venezuela revelou os demais integrantes da lista.
Entre os nomes destacados pela organização estão membros da cúpula do regime, com destaque para a família de Cilia Flores — incluindo os seus filhos Walter, Yosser Daniel e Yoswal Alexander Gavidia Flores — além de um sobrinho que ocupa posição de peso na gestão de recursos da indústria petrolífera.
O sobrinho Erick Malpica Flores, tesoureiro da PDVSA e ex-vice-presidente da companhia estatal, figura entre os visados, associando-se a uma trajetória já marcada por sanções por suspeitas de corrupção. A lista também aponta para outras figuras de dentro da esfera governamental, incluindo a ex-ministra do Turismo Marleny Contreras (esposa de Diosdado Cabello), o ex-ministro das Relações Exteriores Jorge Arreaza, além de vínculos com a gestão econômica e energética do país.
Completa o conjunto o registro de pessoas ligadas à PDVSA ou a seus contratos, como Rafael Ramírez, que já ocupou a pasta da energia e presidiu a PDVSA, e seu primo Diego Salazar, além de ex-tesoureiros e ex-vice-ministros da gestão. Também aparecem nomes de empresários com processos judiciais em países estrangeiros ligados a esquemas de fraude e corrupção, sempre com a referência de vínculos com a PDVSA e o círculo próximo ao poder.
No balanço do país, o recorte suíço não surpreende por ser repetido nos últimos dez anos: a Suíça já bloqueou ativos de cerca de 70 venezuelanos. A Transparencia Venezuela estima que, em 2021, o país detinha mais de 10 bilhões de dólares vinculados ao círculo próximo de Maduro. Além disso, as sanções amplificam o conjunto de medidas já em vigor desde 2018, sob a Lei do Embargo europeia, fortalecendo o aperto sobre ativos e movimentações financeiros.
Para quem acompanha esse tema, fica a leitura de que o dia a dia das contas congeladas não é apenas uma contabilidade de números: é uma estratégia para dificultar a circulação de recursos que alimentam práticas questionáveis. Alerta que, no fim das contas, interessa a quem quer entender como o direito internacional e as sanções econômicas influenciam a política e a economia venezuelanas — e, claro, como isso pode, de alguma forma, impactar o cotidiano de investidores e cidadãos ao redor do mundo.