Venezuela recebe primeiro voo europeu desde a queda de Maduro
Air Europa aterrissa em Caracas e sinaliza retomada de ligações com a Venezuela; outras companhias planejam retorno para março e abril
A história de tensões internacionais ganha, nesta semana, um novo capítulo nas manchetes de aviação e negócios. Um Boeing 787 da Air Europa desembarcou no Aeroporto Internacional de Maiquetía, em Caracas, pouco depois das 21h locais — o que marca o primeiro voo vindo da Europa desde a captura do presidente Nicolás Maduro em janeiro. Segundo relatos de um portal de rastreamento de voos, o aparelho atravessou o Atlântico para colocar o pé na capital venezuelana, sinalizando o início de uma retomada gradual das ligações com o Velho Continente.
De acordo com as autoridades do aeroporto, o voo de hoje foi o primeiro da Air Europa para a Venezuela desde que as ligações foram suspensas por três meses. O retorno veio após a decolagem, no final da tarde de terça-feira, do Barajas, o principal aeroporto de Madrid. A companhia espanhola entra, portanto, como a pioneira a reabrir linhas europeias para Caracas, abrindo caminho para outras empresas que pretendem seguir nos próximos meses.
Na prática, o movimento de retorno não fica apenas na Air Europa. Outras companhias espanholas também planejam retomar voos para a Venezuela já em março; a Plus Ultra anunciará o retorno no início do próximo mês, enquanto a Iberia projeta retomar operações em abril. Já a entrada de voos de Portugal ganha um capítulo importante com a TAP, que confirmou a reabertura das ligações para 30 de março, ainda dentro do calendário de retomadas iniciado após a suspensão de novembro de 2025.
Para quem observa a área, a Air Europa planeja uma retomada gradual: inicialmente três voos semanais em fevereiro, com expansão para quatro voos nas três primeiras semanas de março e, a partir daí, para cinco voos semanais. Além disso, a volta de companhias da região já tem outros nomes em vista: a colombiana Avianca, a panamenha Copa e a subsidiária de baixo custo Wingo já haviam retomado operações, enquanto a norte‑americana American Airlines sinalizou a intenção de reativar rotas para Caracas.
O retorno dos voos não acontece em vazio: ele emerge num contexto de alerta anterior, com autoridades norte‑americanas e espanholas recomendando cautela ao sobrevoar o espaço aéreo venezuelano, após o aumento de atividade militar e de instabilidade política no país. Em resposta, Caracas havia revogado, temporariamente, licenças de operação de várias companhias internacionais, incluindo a TAP, o que gerou críticas de entidades da aviação e complicou as perspectivas de retomada rápida das ligações.
As mudanças ganham contorno neste começo de 2026, quando uma operação militar dos EUA resultou na captura de Maduro, abrindo caminho para uma reaproximação gradual das ligações comerciais. Na prática, o anúncio mais recente de Washington, feito em 29 de janeiro, sinalizou a abertura do espaço aéreo venezuelano para visitantes norte‑americanos “em breve”, o que reforça o cenário de normalização das conexões internacionais. Para viajantes e curiosos, fica a leitura de que novos voos europeus e de companhias da região devem reforçar a rede de conexões com a Venezuela nos próximos meses, influenciando tanto turismo quanto negócios.