Venezuela solicita à ONU a libertação imediata de Nicolás Maduro
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Na sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, a Venezuela pleiteou a libertação imediata de Nicolás Maduro, reconhecido como presidente constitucional pelo governo venezuelano, que também denunciou a condição de detenção sob pressão externa. O chanceler Yván Gil reforçou a reivindicação, destacando que a situação exige atuação rápida da comunidade internacional.
Além disso, Caracas destacou a promessa de liberdade de presos políticos no âmbito de uma lei de anistia anunciada pela presidente interina, em meio a pressões de Washington. O país aponta ainda para desdobramentos posteriores que marcaram o início de fevereiro, com reportagens sobre prisões e mudanças no cenário político.
O período pode ser lembrado pela referência ao dia 3 de janeiro de 2026, considerado um marco de gravidade: uma intervenção militar descrita como ilegal resultou em mais de 100 mortes e na detenção arbitrária de Maduro e de sua esposa. Maduro, que então se autodenominou prisioneiro de guerra, governou a Venezuela com mão de ferro de 2013 até janeiro de 2026. Hoje o país é chefiado por Delcy Rodríguez, que já vinha ocupando a posição de vice-presidente desde 2018.
De posse do poder, Rodríguez promoveria alterações importantes, incluindo a aprovação de uma lei de anistia para libertar presos políticos e uma reforma no setor petrolífero, abrindo espaço para a atuação de empresas americanas. Em seguida, Rodríguez afastou Camilla Fabri, esposa de Alex Saab — aliado próximo de Maduro — do governo. Saab, detido em Cabo Verde em 2020 e extraditado para os Estados Unidos em 2021, foi trocado, em 2023, por dez cidadãos norte-americanos detidos na Venezuela.
No início de fevereiro, veículos de comunicação deram conta de sua prisão a pedido do FBI, enquanto uma fonte ligada ao governo disse à agência que Saab estaria “em casa”, sem detalhes adicionais. Ainda na linha de ações internacionais, a Alta Representante da União Europeia para Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, afirmou que proporia à UE o levantamento de sanções contra Rodríguez. Do lado americano, o secretário de Estado Marco Rubio planeja, na semana, ensinar uma posição comum sobre a Venezuela e sobre a continuidade da pressão sobre Cuba.
A expectativa é de que a lei de anistia liberte centenas de pessoas; ao menos 1.500 indivíduos teriam feito pedidos. A ONG Foro Penal informou que, nos últimos três dias, 65 presos foram libertados. No entanto, defensores dos direitos humanos consideram a legislação insuficiente, pois não alcança casos envolvendo militares, como os detidos na penitenciária Rodeo 1, onde cerca de 200 internos iniciaram greve de fome no fim de semana.
Com o acesso da Cruz Vermelha às prisões, incluindo Rodeo, a organização avaliou as condições dos detentos e prometeu retornar para monitorar novas liberações. O governo pretende, ainda, transformar o complexo El Helicoide — símbolo de tortura e detenção arbitrária — em uma unidade diferente, com o objetivo de encerrar o capítulo de abusos. A interina prometeu o fechamento do local, mas ele continua funcionando. Além disso, o contexto aponta para uma mudança na condução do país, com impactos diretos no dia a dia dos cidadãos.