Venezuela e EUA fortalecem aliança contra o tráfico de drogas

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Venezuela e EUA unem-se contra tráfico de droga

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Em Caracas, o governo venezuelano comunicou que Delcy Rodríguez, atual presidente interina, concordou, em uma reunião com o chefe do Comando Sul dos EUA, Francis Donovan, em avançar com um esforço conjunto para enfrentar o narcotráfico. A transmissão dessa nova postura veio num momento em que o diálogo entre os dois países ganha espaço, ainda que sob condições delicadas. Segundo a nota oficial, os dois lados se comprometeram a trabalhar na elaboração de uma agenda de cooperação bilateral para combater o narcotráfico e, também, para tratar conjuntamente a questão da migração. Nas palavras do porta-voz, houve inclusive a menção de uma possível luta conjunta contra o terrorismo, embora mais tarde tenha surgido a retratação de tal declaração na rede social do governo venezuelano. Além disso, o ministro das Comunicações, Miguel Ángel Pérez Pirela, destacou que o encontro envolveu a participação de outros nomes importantes, como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, sempre presentes em momentos de maior sinalização diplomática entre Caracas e Washington.

No dia a dia do encontro, ficou claro que a diplomacia continua como principal canal para resolver divergências e avançar em questões de interesse bilateral e regional. “O encontro reafirma que a diplomacia deve ser o mecanismo para resolver divergências e abordar questões de interesse bilateral e regional, de interesse para todas as partes”, assinalou Pérez Pirela. Horas antes, a chefe de missão dos EUA na Venezuela já tinha confirmado a visita de Donovan, ocorrendo menos de dois meses após uma sequência de episódios que colocou Nicolás Maduro no centro de disputas políticas regionais. E, nesse contexto, Laura Dogu, em publicação na rede X, comentou que o comandante do SOUTHCOM manteve reuniões com as autoridades interinas para aferir a segurança e dar continuidade ao objetivo de uma Venezuela cada vez mais alinhada com os Estados Unidos.

Esse conjunto de encontros reforçou a menção ao “tema da segurança” e ao que as autoridades norte-americanas chamam de “plano de três fases” para a Venezuela, introduzido pelo governo de Donald Trump. Segundo a descrição da embaixada dos EUA em Caracas, o plano envolve três etapas distintas para a transição no país: estabilização, recuperação e, por fim, uma fase de transição voltada a consolidar uma Venezuela “amigável, estável, próspera e democrática”. A narrativa diplomática destacou que o general Donovan reiterou o compromisso de Washington com uma Venezuela livre, segura e próspera, beneficiando o povo venezuelano, os Estados Unidos e o conjunto do hemisfério ocidental. Em alinhamento com esse tom, o oficial norte-americano também participou de uma comunicação que mencionou a conclusão de uma visita produtiva ao país, contando com a presença da embaixadora Laura Dogu e de outras autoridades.

Desde que chegou ao poder, Delcy Rodríguez, antiga vice-presidente de Nicolás Maduro, tem promovido mudanças que costumam entrar no radar das tensões com Washington. Entre elas, a abertura do setor petrolífero ao setor privado sob pressão norte-americana e a promessa de uma lei de amnistia em debate na Assembleia Nacional. Tais movimentos aparecem como parte de uma tentativa de normalizar relações com os Estados Unidos, rompidas de forma contundente em 2019. No contexto regional, tais passos aparecem como um sinal de que a diplomacia ainda é o caminho preferencial para resolver impasses, ainda que a influência externa permaneça como variável constante nas contas entre Caracas e Washington. No dia a dia, leitores e leitores podem sentir esse movimento de fundo nos preços, na geração de oportunidades econômicas, na migração e, claro, na percepção de segurança em um território marcado por tensões históricas.

No fim das contas, o que está em jogo nesse front diplomático vai muito além de declarações públicas. Trata-se de entender como o tabuleiro regional pode reagrupar-se diante de pressões externas, mantendo as possibilidades de diálogo abertas, sem abandonar a proteção de interesses internos. Para o cidadão comum, a leitura prática disso tudo é simples: mudanças nos termos de cooperação podem se traduzir em mais clareza sobre políticas de migração, maior ou menor pressão sobre o mercado petrolífero, além de um sinal de que o eixo entre Caracas e Washington, mesmo com ruídos, pode caminhar para um espaço de negociação estável – ou pelo menos menos conflituoso – no curto a médio prazo.

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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