Trump afirma que Irã não precisa de democracia desde que novo líder trate bem EUA e Israel
Presidente dos EUA garantiu que regime iraniano foi ‘neutralizado’ e que a República Islâmica ‘não é o mesmo país que era há uma semana’
Em uma edição que misturou discurso político com o tom de curiosidade pública, o presidente dos Estados Unidos revelou, durante entrevista à CNN, que não vê necessidade de uma transição democrática no Irã, desde que o próximo líder seja justo e imparcial e mantenha uma relação respeitosa com os Estados Unidos e com Israel. No dia a dia, a leitura de quem acompanha o conflito se aprimora: o que parecia incerto passa a depender da conduta do novo governante persa, segundo ele, para assegurar cooperação entre as partes.
No que diz respeito ao objetivo americano, Trump disse acreditar que as ações até aqui deixaram claro que o Irã não é mais o mesmo país de antes. “Não é o mesmo país que era há uma semana. Eles eram poderosos; agora, na prática, estão neutralizados”, afirmou, descrevendo uma mudança que, na visão dele, retira a necessidade de uma transição democrática imediata. Além disso, o objetivo declarado é desativar os programas de mísseis e de enriquecimento de urânio, bem como desestabilizar a Marinha e a rede de milícias aliadas de Teerã que atuam pela região.
Essa leitura de palco político se cruza com uma comparação incomum: construir um caminho para mudança semelhante ao que ocorreu na Venezuela. Segundo o presidente, um líder novo poderia agir com firmeza, lembrando o que houve no país vizinho com a figura provisória que assumiu o poder. “Vai funcionar muito facilmente. Vai funcionar como na Venezuela,” disse, ao mencionar autoridades venezuelanas que, na prática, mantêm o discurso de linha dura para o público interno, enquanto reforçam a cooperação com Washington.
Sobre o processo de escolha do próximo líder supremo, Trump deixou claro que já manifestou um interesse em ter voz no desenrolar dos acontecimentos. Em relatos feitos na CNN, ele disse que deverá ter participação na definição de quem herdará Ali Khamenei. Ainda assim, ele ressaltou que o filho de Khamenei, Mojtaba seria “inaceitável” para o cargo. Apesar disso, o discurso manteve uma abertura: não está fechada a possibilidade de um líder religioso no Irã, desde que as condições estejam alinhadas com os interesses dos EUA e de aliados regionais.
Na prática, o republicano traçou um retrato de alianças no Oriente Médio que, segundo ele, caminharam para uma nova configuração. Além de elogiar algumas atitudes de abertura com países do Golfo, ele destacou que as relações com várias monarquias enriqueceram o diálogo e a cooperação. “Eu me tornei muito amigo de todos esses países,” afirmou, acrescentando que, antes de seu envolvimento, o relacionamento com Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita era muito menor — algo que, na visão dele, mudou o curso da parceria estratégica. No conta-gotas, Trump alegou que outras lideranças passaram a caminhar com os EUA por conta da postura recente de Washington, associando essa mudança a uma contenção conjunta de adversários regionais.
Entre os bastidores, o comentário também serve para entender o tom de uma retórica que mistura bravata eleitoral e a leitura de cenários geopolíticos. Enquanto celebra avanços no terreno de segurança, o presidente deixa claro que não busca apenas retórica: o que está em jogo é a forma como o Irã se posicionará frente aos seus próprios cidadãos e aos seus vizinhos, bem como a maneira como Washington poderá operar na região sem abrir mão de seus interesses estratégicos.
Por fim, a fala de Trump acende um debate sobre o papel de potência externa no tabuleiro iraniano. No dia a dia, leitores e leitores vão perceber que, mesmo com a linguagem de vitória, existem questões pragmáticas que pesam: qual seria a configuração ideal de liderança para garantir estabilidade, cooperação regional e segurança internacional? E qual impacto isso teria, a curto e médio prazo, na vida cotidiana de quem vive no Oriente Médio e, claro, no relacionamento entre Washington e Teerã? No fim das contas, o que está em jogo é menos uma ideia de modelo único de governo do que a construção de acordos que reduzam riscos, sem abrir mão de interesses estratégicos centrais para as partes envolvidas.