Trump diz ter tido diálogos produtivos com Irã e adia ataques a usinas

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Trump diz ter tido conversas produtivas com o Irã e adia a ameaça de ataques a usinas

Presidente americano tinha imposto prazo de 48 horas para abrir o Estreito de Ormuz; ele mudou o prazo nesta segunda-feira, com impactos nos mercados e nos desdobramentos diplomáticos

Em meio a uma escalada de tensões no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que manteve conversas produtivas com representantes iranianos e que há sinais de que um acordo possa estar próximo. “Temos uma chance séria de fechar um acordo”, disse, acrescentando que as conversas — provavelmente por telefone — ocorreriam ainda no dia, entre Washington e Teerã. Ele ressaltou que “também gostaríamos de um acordo” e descreveu o momento como uma oportunidade real, embora adiantando que “nada está garantido”.

Segundo Trump, os dois países estão debatendo 15 pontos para encerrar as hostilidades, com o Irã renunciando a armas nucleares como prioridade, incluindo os itens 1, 2 e 3. O presidente sugeriu que o Irã poderia aceitar abandonar planos nucleares em troca de paz, destacando inclusive que, no relato dele, haveria possibilidade de evitar um ataque futuro. Em tom de alerta, ele chegou a dizer que, em uma manhã hipotética, poderiam ter atacado as maiores usinas de geração de energia do Irã, uma instalação de alto custo — “mais de US$ 10 bilhões” — destacando o impacto econômico de qualquer agressão. A ameaça vinha num contexto no qual Trump já havia dito que, se o Estreito de Ormuz não fosse aberto sem ameaças em 48 horas, os EUA aniquilariam as usinas iranianas. Por fim, o Irã prometeu responder com escalada de violência caso houvesse ataque.

Logo após o anúncio, autoridades iranianas teriam entrado em contato com Trump para buscar um acordo, o que o levou a recuar, suspendendo por cinco dias qualquer ataque às usinas de energia iranianas, desde que as negociações em andamento rendessem resultado. No entanto, as posições oficiais não se consolidaram de forma unânime na região.

No dia seguinte, o Ministério das Relações Exteriores do Irã divulgou um comunicado negando ter mantido conversas com os EUA. “Negamos o que o presidente dos EUA disse sobre negociações em curso entre os EUA e a República Islâmica do Irã”, afirmou Teerã, mantendo a posição de rejeitar qualquer negociação até que os objetivos iranianos sejam alcançados na guerra. Comentários da imprensa iraniana também indicaram que não havia contato direto ou indireto com Trump, segundo fontes citadas pela rede Fars. Em resposta, Trump afirmou, via nova mensagem na segunda-feira, que as conversas foram profundas, detalhadas e construtivas, com a promessa de adiar ataques enquanto as reuniões prosseguiam.

O desdobramento teve desdobramentos imediatos nos mercados: o petróleo Brent recuou consideravelmente, caindo cerca de 13%, para pouco acima de US$ 96 por barril. A reação foi mais ambígua no mercado de ações europeu: o FTSE 100, da bolsa de Londres, subiu cerca de 0,5% após ter caminhado em queda antes do anúncio.

Entre aliados, Trump manteve contato com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer. A ligação, descrita como construtiva, girou em torno da necessidade de reabrir o Estreito de Ormuz para assegurar o fluxo global de petróleo e gás. Downing Street informou que os líderes concordaram em retomar o diálogo em breve, com Starmer preparando uma reunião com o seu gabinete para alinhar próximos passos.

Além disso, o presidente destacou, ao publicar no Truth Social, mensagens que reforçaram o apelo por paz por meio de demonstração de força. Em paralelo, o Departamento de Estado dos EUA lançou um alerta aos cidadãos americanos ao redor do mundo, especialmente no Oriente Médio, recomendando cautela. O comunicado também alertou para possíveis interrupções no espaço aéreo e para ataques a instalações diplomáticas norte-americanas, ressaltando que grupos que apoiam o Irã podem mirar interesses dos EUA no exterior.

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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