Trump diz acreditar na honra de tomar Cuba e pressiona Havana

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Trump diz acreditar que terá a ‘honra de tomar Cuba’ e aumenta pressão sobre Havana

Presidente dos EUA instou recente governo da ilha a ‘chegar a um acordo’ ou enfrentar as consequências

Em uma sinalização que mistura bravata e política externa, o presidente dos EUA voltou a falar de Cuba com tom de intervenção. Donald Trump disse, em declaração aos jornalistas no Salão Oval, que acredita ter a honra de tomar o controle de Cuba, de modo a libertá-la ou tomá-la, conforme ele próprio descreveu. Em meio a uma crise energética que atinge a ilha caribenha, o inquérito público ganhou contornos de aviso: “acho que posso fazer o que quiser, se quiser que eu diga a verdade”, destacou, vendo a nação debilitada no momento. Além disso, o governo de Washington reforça a pressão para que Cuba chegue a um acordo ou arque com as consequências, criando um cenário tenso que se estende para além das fronteiras.

Paralelamente, Havana confirmou a abertura de espaço para o diálogo com os Estados Unidos na busca de soluções para a crise bilateral. Enquanto isso, a ilha enfrenta interrupções de energia e avançam as negociações da Organização das Nações Unidas para obtenção de combustível humanitário que modulam a vida cotidiana de milhões de cubanos. Esse fio de negociação internacional está ligado a uma realidade difícil que se estende às contas públicas da ilha, com cortes de fornecimento e dificuldades logísticas que já mobilizam a comunidade internacional.

O tom duro de Trump não esconde seu objetivo claro: provocar uma mudança no regime cubano, governado pelo Partido Comunista e situado a apenas 150 km de território americano. No início do mês, ele já havia sinalizado que Cuba vai cair muito em breve diante da crise energética provocada pela instabilidade regional e pela pressão externa. Nesse contexto, ele pediu que Havana “chegue a um acordo” ou enfrente as consequências — uma linguagem que aponta para ações que vão além de declarações, alimentando uma atmosfera de incerteza na relação entre as duas nações.

As declarações vieram acompanhadas por relatos de que Maduro — atravessado pela operação que o levou aos EUA — e outros episódios na região serviram de referência para a retórica de Washington. No fim de fevereiro, Trump chegou a falar de uma possível “tomada amistosa” da ilha, destacando que, embora não haja dinheiro ou recursos no momento, certos interlocutores estariam em contato com Washington, abrindo caminho para uma solução via diálogo.

A crise energética que assola Cuba é estruturada por fatores como a interrupção de envios de combustível vindo de Caracas, historicamente o principal fornecedor da ilha, e a suspensão de fluxos que sustentam a rede elétrica local. A ilha, com aproximadamente 9,6 milhões de habitantes, tem visto ocorrências de blecautes de grande escala, o que reforça a pressão interna e as negociações internacionais que tentam viabilizar, em caráter emergencial, combustível para fins humanitários e necessidades básicas.

Na prática, o governo de Díaz-Canel confirmou conversas com representantes do governo norte-americano, em meio a tensões crescentes. O presidente cubano citou que as negociações são facilitadas por fatores internacionais que não detalhou, ressaltando a importância de buscar soluções por meio do diálogo entre as duas nações. Além disso, a imprensa observou que Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, apareceu entre os nomes mencionados pela mídia dos EUA como interlocutor nos contatos prévias do secretário de Estado Marco Rubio.

No conjunto, a atual conjuntura coloca leitor e leitoras diante de perguntas práticas: o que significará, na prática, um endurecimento americano frente a Cuba? Como o diálogo entre Havana e Washington pode impactar o dia a dia de quem vive na ilha? E quais serão os próximos desdobramentos para a resposta de organismos internacionais a favor de apoio humanitário? A resposta, por ora, se mantém em aberto, alimentando debates sobre prioridades regionais, relações entre potências e a imperiosa necessidade de evitar novos impactos à população cubana.

  • Relações tensas entre EUA e Cuba sob nova pressão, com ameaças de intervenção.
  • Crise energética contínua e episódios de blecautes que afetam a vida cotidiana.
  • Diálogo entre Havana e Washington buscando caminhos de solução.

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Jornalista

André Santos

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