Tereza Cristina diz estar pronta para vice na chapa de Flávio

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“Estou preparada”, diz Tereza Cristina sobre possibilidade de ser vice na chapa de Flávio

Senadora do PP defende indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro e diz que governo Lula prefere o MST ao agronegócio

No centro do debate sobre as próximas eleições, Tereza Cristina, líder do PP no Senado, abriu um diálogo aberto sobre a especulação de integrar a chapa de Flávio Bolsonaro como vice. Em conversa franca, ela pondera o alinhamento com propostas do cenário oposicionista, entre elas o fim da reeleição para o Palácio do Planalto e mudanças na política de maioridade penal. Além disso, a senadora discute o impacto de temas como o 8 de Janeiro, a anistia de condenados e o financiamento de campanhas, sempre com o cuidado de reforçar sua visão conservadora para o país.

Ela afirma que, por ora, não houve consulta formal sobre a possibilidade de assumir o posto, mas deixa claro que compartilha parte da agenda defendida pelo pré-candidato, como a direção de um campo político mais conservador e voltado ao agronegócio. Produtora rural e figura de peso do setor, Tereza Cristina comenta, ainda, que o alinhamento com o discurso de Flávio Bolsonaro não impede seu retorno ao Senado, caso necessário, mantendo a firmeza em pautas que julga essenciais para o país.

No debate público, a senadora sinaliza que, embora haja muita afinidade entre as propostas do atual favorito da direita e sua visão de país, a decisão sobre alianças ainda não está consumada. Ela lembra que o PP tem histórico de buscar convergência com propostas que possam vencer o presidente Lula e, ao mesmo tempo, manter a unidade entre diferentes correntes da oposição. “A candidatura de Flávio Bolsonaro tem mostrado força em cenários onde a direita precisa competir com solidez”, comenta.

Quanto às questões polêmicas envolvendo o cenário político recente, Tereza Cristina reconhece a existência de debates sobre o golpismo e o 8 de Janeiro, mas ressalta que ainda há dúvidas sobre provas e procedimentos legais. Ela defende que qualquer apuração precisa ser cuidadosa, com ampla defesa, evitando julgamentos antecipados. “A história vai dizer o que de fato aconteceu”, afirma, destacando a importância de processos justos e transparentes.

Em relação às políticas públicas para o setor que representa, a senadora volta a defender a ideia de voltar a permitir doações de empresas, com regras claras de governança, argumentando que o financiamento privado pode dinamizar a política desde que haja limites éticos. Para ela, o agro é o coração da economia brasileira e, por isso, merece tratamento adequado no desenho institucional das campanhas e na formulação de políticas públicas.

Sobre a atuação do governo atual, Tereza Cristina não esconde críticas ao tratamento dado ao agronegócio. “O setor tem respondido com resultados expressivos, mas enfrenta dificuldades de crédito, infraestrutura e armazenamento”, aponta. Ela cita uma percepção de que o governo atual não valoriza suficientemente o agronegócio, ao passo que vê o setor como motor de crescimento, com a produção mantendo recordes a cada safra. A presidente estadual do grupo também comenta que, em conversas locais, produtores sentem falta de políticas de incentivo e de linhas de financiamento eficientes.

Quanto à pauta da maioridade penal, a avaliação é cuidadosa. “É um tema complexo que requer estudo aprofundado. Não atuo com convicção pronta sobre o tema; é preciso ponderar impactos e possibilidades”, observa. Ainda assim, a senadora deixa claro que defende uma discussão ampla sobre os instrumentos de política criminal, incluindo a possibilidade de medidas que contribuam para a melhoria do ambiente político e institucional, sem perder de vista a proteção social.

Outro eixo importante é a defesa de reformas institucionais, como o fim da reeleição para o próximo ocupante do Executivo e uma reavaliação do financiamento público de campanhas. Ela apoia, por exemplo, uma PEC que propõe encerramento da reeleição e propõe estender a ideia a governos estaduais, defendendo maior oxigenação política e incentivos para renovar o debate público. Sobre o financiamento, a proposta é repensar o modelo vigente, com arranjos que privilegiem o equilíbrio entre diferentes fontes de recurso, mantendo a participação do setor privado, desde que haja regras claras.

Para a senadora, o histórico de atuação no Congresso não invalida o papel do agronegócio na sociedade brasileira. Ela reforça que o setor, sendo amplamente estruturado e tecnificado, merece reconhecimento e continuidade de políticas que assegurem crédito, infraestrutura e armazenamento. Em especial, a visão é de que o acoplamento entre ciência, tecnologia e produção rural precisa de apoio público estável, para que o país siga sendo competitivo no cenário global.

Em um desdobramento da entrevista, Tereza Cristina comenta como o debate cultural e político reverbera no cotidiano. Ela critica, com tom firme, ações que percebem como campanha antecipada, incluindo o uso de desfiles e manifestações artísticas para reforçar determinadas narrativas. “O respeito aos valores conservadores precisa conviver com a exigência de neutralidade institucional, para que não haja desvio da função pública”, afirma, destacando a importância do escrutínio público e do cumprimento das regras eleitorais.

Por fim, a senadora retoma a importância de observar o papel de cada mulher na política. Ela relata já ter enfrentado discriminação no Senado, reconhece que a cultura ainda é amplamente masculina, mas celebra o avanço de mulheres em posições de liderança. Defende políticas que criem condições para que mais mulheres se tornem empreendedoras, com creches adequadas e igualdade de remuneração quando executam funções equivalentes, reforçando que o espaço público deve refletir a diversidade do país.

Entre perguntas sobre o acordo Mercosul-União Europeia, Tereza Cristina aponta impactos positivos esperados no longo prazo, com previsões de crescimento do PIB e de participação de empresas nacionais em licitações internacionais. Ela frisa que, embora os efeitos iniciais possam não se traduzir imediatamente em queda de preços, a abertura comercial tende a ampliar a variedade de produtos à disposição do consumidor, fortalecendo o ecossistema de inovação e competitividade do Brasil.

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Jornalista

Renata Oliveira

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