Tenente-coronel nega ter matado PM em SP: ‘Nunca levantei a mão’
Justiça determinou que o caso seja investigado como feminicídio; Geraldo Leite Rosa Neto reafirmou inocência em entrevista à TV Record nesta quarta-feira, 11
Em entrevista à Record nesta quarta-feira, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto voltou a sustentar que não cometeu qualquer violência contra a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada morta a tiros no apartamento onde moravam, na região central de São Paulo. No relato apresentado à reportagem, ele reforçou que nunca levantou a mão para a esposa e afirmou que a decisão de se separar foi tomada antes do fatídico dia. Além disso, disse que, por volta das 7h10, acordou, fez suas orações e foi ao quarto de Gisele, narrando que encontrou a mulher caída na sala, com sinais de violência no local.
No relato do militar, o casal vivia separado há cerca de oito meses e já tramava a oficialização do divórcio. Ele contou que, após ouvir um barulho, abriu o box do banheiro apenas parcialmente e viu a situação que descreveu como traumática. A versão, portanto, contrasta com versões que circularam inicialmente e que apontavam uma sequência diferente de eventos após o despertar das duas pessoas envolvidas.
Entre os elementos que ajudam a entender o cenário, o laudo de necropsia aponta marcas no pescoço da vítima, descritas como lesões contundentes associadas a uma possível pressão e a sinais de lesão por objetos ou por insistência deagentes físicos. O marido, no entanto, ofereceu uma explicação alternativa: as marcas poderiam ter sido provocadas pela filha, uma menina de sete anos, que costumava ser carregada no colo pela mãe durante passeios. Ainda assim, a defesa ressalta que a versão apresentada por Neto tenta colocar o foco na criança para justificar o que aconteceu.
Na prática, o que mudou o panorama foi a posição que a Justiça adotou nesta semana. A decisão, anunciada na terça-feira, 10, orientou que a polícia passe a investigar o caso como feminicídio, renovando a linha de apuração que, até então, havia considerado a morte como suicídio ou como morte suspeita. A mudança representa um desdobramento significativo para a família de Gisele e para a investigação, abrindo espaço para novas fases, depoimentos e, possivelmente, medidas como a solicitação de prisão do marido, caso as investigações indiquem indícios suficientes.
O episódio que envolve o casal é antigo em termos de relação conjugal, com relatos que ganharam ares de contorno público após a divulgação de evidências. O laudo citado manteve a leitura de que existiam lesões no pescoço, sem traços inequívocos de defesa, o que alimenta as interpretações contraditórias. Em resposta, a defesa apontou que há versões conflitantes das circunstâncias da morte, incluindo a hipótese de suicídio após um desentendimento entre o casal. Por outro lado, testemunhas próximas e informações oficiais têm reforçado a possibilidade de violência de gênero, o que tem movido a Justiça a reclassificar a investigação para feminicídio.
O caso ocorreu no dia 18 de fevereiro, no apartamento do Brás, zona central de SP, onde viviam. A polícia chegou a registrar, temporariamente, a morte como suicídio, mas, com as informações apresentadas pela família de Gisele — que denunciou abusos prévios — houve a reclassificação e a mudança de enfoque da investigação. No cenário atual, a Justiça de São Paulo determinou a abertura de apuração como feminicídio, o que implica uma linha investigativa mais profunda, com foco em violência de gênero e nos contextos que podem ter contribuído para a morte.
Para além dos percalços legais, o episódio reacende o debate sobre violência doméstica e os mecanismos de proteção às vítimas. Em meio a declarações, contradições de versões e laudos que sugerem sinais de agressão, fica a expectativa de que as apurações avancem com objetividade, permitindo esclarecer o que de fato ocorreu naquela residência, quem esteve envolvido e quais medidas deverão ser tomadas para o desfecho do caso. No dia a dia, leitores costumam se perguntar: mas o que isso muda na prática? A resposta está justamente na condução criteriosa das investigações e na atuação firme das instituições responsáveis, para que a justiça seja efetiva e as vítimas recebam o suporte necessário.
- Feminicídio: reclassificação do tipo de crime pela Justiça de SP em relação à morte da policial.
- Versões conflitantes: o marido alega inocência e aponta outras explicações para as marcas encontradas no pescoço.
- Adoção de novas medidas: possibilidade de pedidos de prisão durante a investigação, conforme o andamento do caso.
- Contexto familiar: o relacionamento era marcado por separação recente e por relatos de abuso apresentados pela família de Gisele.