Senegal reage à decisão injusta que tirou o título da Copa Africana

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Senegal responde à decisão ‘injusta’ que retirou do país o título da Copa Africana

O comitê de apelações da CAF declarou Marrocos vencedor do título

Em meio a uma comoção que ainda reverbera no futebol africano, o Senegal confirmou nesta semana que vai levar o caso ao CAS, em Lausanne, para contestar a decisão da CAF que tirou a faixa de campeão da CAN e impôs a vitória aos marroquinos. A Federação Senegalesa de Futebol deixou claro que defenderá, com vigor, os direitos do seu futebol perante a instância internacional, buscando reparação para o que consideram uma injustiça.

No comunicado oficial, a federação informou que apresentará o recurso de apelação ao CAS no menor tempo possível, destacando que a decisão compromete não apenas o título, mas o legado esportivo da seleção e de todo o futebol do país.

Para justificar a medida, a CAF apontou fundamentos previstos no regulamento da CAN, especificamente artigos que tratam de conduta de jogo. Segundo a entidade, se uma equipe se recusar a jogar ou abandonar o campo antes do apito final, fica automaticamente derrotada e eliminada da competição. Essa base legal foi utilizada para oficializar a decisão de declarar Marrocos como vencedora do campeonato, com o placar registrado de forma diferente do que ocorreu no campo.

A final, disputada em Rabat, ficou marcada por tensões entre jogadores senegaleses, que entraram em campo em protesto contra a arbitragem. Enquanto o jogo avançava para a prorrogação, um pênalti cobrado pela seleção marroquina nos acréscimos, após um gol senegalês ter sido anulado, acentuou a polêmica. No tempo extra, o Senegal acabou buscando o triunfo com um gol de Pape Gueye, mas a decisão final da CAF já havia sido anunciada, alterando o resultado para o que favoreceu Marrocos.

Esse episódio traz à tona um precedente lembrado por analistas: em 2019, o Espérance de Tunis foi declarado campeão da Liga dos Campeões da CAF dias após a final, quando houve abandono de campo por parte dos jogadores do Wydad Casablanca em protesto contra decisões do VAR. O episódio recente reabre o debate sobre como punições e sanções são aplicadas, especialmente quando o suporte institucional envolve protestos e conduta antidesportiva.

Enquanto isso, o acompanhamento judiciário continua nos bastidores. A audiência de apelação relacionada a 18 torcedores senegaleses, detidos desde a final, ficou marcada para o fim do mês, com penas de prisão previstas entre três meses e um ano por conduta vandalista. No dia a dia, fãs e dirigentes aguardam os desdobramentos de um caso que envolve direitos esportivos, regulamentação e o futuro das disputas entre nações africanas.

Na prática, a decisão acende a discussão pública sobre o equilíbrio entre espírito esportivo, regras do jogo e a responsabilidade de federações em manter a ordem durante grandes finais. No fim das contas, o que está em jogo vai muito além do título: é a forma como o futebol africano pretende respeitar as regras, proteger seus atletas e manter a integridade de uma competição histórica para as duas nações em disputa.

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Jornalista

Fernanda Costa

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