RPG de fantasia open world top vira, sem querer, a adaptação de Frieren

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Um dos melhores RPGs de fantasia de mundo aberto dos últimos anos se tornou, sem querer, a melhor “adaptação” de Frieren

Com a segunda temporada de Frieren já concluída, o público teve que usar a imaginação novamente para matar as saudades

O êxito recente de Frieren e a Jornada para o Além deixou claro que há espaço para uma passagem de sua magia para o universo dos games. Normalmente, grandes obras de fantasia contam com portais para videogames que ampliam o alcance do universo e permitem tomar decisões que transcendam o que o anime entrega em tela. Frieren não lançou ainda um jogo oficial que traduza sua atmosfera contemplativa em ação, mas entre as opções que têm circulado, Dragon’s Dogma 2 surge como a mais promissora “adaptação” não oficial — um título que captura a ideia de viagem, encontros entre personagens e a delicadeza de lidar com a fragilidade humana, algo que a obra de Ken Abe sugere com maestria.

Para quem perdeu a apresentação do game, é útil lembrar como a narrativa de Dragon’s Dogma 2 se coloca no papel de uma jornada épica: você assume o papel do Arisen, alguém marcado por uma maldição após o retorno de um dragão. Em um mundo vasto de fantasia medieval, o herói acumula aliados, cresce em poder e persegue a nossa astuta presa: a besta que o transformou. A leitura desta premissa, à primeira vista, pode parecer distante da essência de Frieren; no entanto, o jogo permite uma experiência que mergulha exatamente no tipo de aventura que os fãs desejam — uma via cheia de encontros que moldam o grupo ao longo do caminho.

O que ajuda a sustentar essa ponte entre as obras é o sistema de personalização de personagens. Dragon’s Dogma 2 oferece uma mecânica de classes que permite alternar entre magos, guerreiros e o que mais o grupo exigir, com toques criativos que acrescentam variedade aos papéis tradicionais. Conforme relata o repórter Alejandro Morillas, de um veículo parceiro, o editor de personagens do jogo revela que é possível iniciar uma nova jornada com uma maga que já se aproxima da elfa querida pelos fãs do anime. Isso demonstra como o título facilita inserir o tipo de arquétipos que constroem a dinâmica de Frieren, dentro de uma jogabilidade dinâmica e envolvente.

Além disso, a composição do grupo em Dragon’s Dogma 2 se apoia em um sistema de peões que permite adicionar dois acompanhantes de diferentes perfis ao longo da caminhada, com a possibilidade de alternar entre eles conforme a necessidade da missão. Embora esse recurso não permita personalização obsessiva, a variedade de opções facilita encaixar alguém em uma função que pareça natural para a jornada de Frieren. A própria estrutura do jogo convida o jogador a experimentar uma simbiose entre as classes: cada membro tem seu papel, e o equilíbrio entre a ofensiva, a defesa e o suporte é crucial para avançar, sem perder de vista o objetivo principal de enfrentar a ameaça que se ergue no horizonte.

A aproximação entre os mundos também se comprova na forma como as missões aparecem. Frieren valoriza atender aos pedidos com paciência, aceitar desafios com discrição e dedicar tempo aos cidadãos, sem pressa; em Dragon’s Dogma 2, a imersão funciona quase da mesma forma — as pessoas pelas cidades pedem ajuda, e o jogador pode escolher abrir ou não cada missão ao ouvir as conversas que surgem naturalmente no dia a dia. Ainda que alguns críticos tenham apontado a ausência de viagens rápidas em fases iniciais—um ritmo lento que exige caminhar ou usar carroças—essa escolha de design encoraja uma leitura de exploração mais orgânica, onde cada decisão de ajudar ou não carrega consequências que vão muito além do saque imediato.

No campo da ação, as batalhas ganham vida com a sensibilidade de uma estratégia que lembra as grandes batalhas da fantasia. Em combinação com as classes, o combate incentiva o uso de feitiços à distância por parte dos magos, enquanto o tanque da equipe avança para enfrentar a ameaça de frente. O objetivo maior permanece a caçada à criatura que ameaça todos, mas o que fica no centro da experiência é justamente a jornada — a presença constante de novos aliados que surgem, se movem e partem, criando uma sensação de continuidade que faz lembrar as estruturas de Frieren, onde a evolução dos laços e o tempo dedicado aos outros se tornam parte essencial do espetáculo.

No fim das contas, a ideia de verFrieren refletida por meio de um RPG de mundo aberto não é apenas sobre uma coincidência de temas, mas sobre como o jogo consegue transformar o conceito de “adaptação” em uma experiência envolvente. A imaginação do jogador — aquele espaço que tanto fascina os fãs da obra — volta a ocupar o centro, agora ativada por um conjunto de mecânicas que celebra a jornada e as escolhas ao longo da caminhada. E você, que prefere acompanhar esse tipo de ligação entre anime e jogo, tem encontrado na prática o que procura?

A narrativa de Frieren, de oraza em diante, se estende para além de um único episódio: é sobre o tempo que passa, as pessoas que cruzam o caminho e o que cada encontro nos ensina a respeito de nós mesmos. Nesse sentido, Dragon’s Dogma 2, com sua cadência deliberada e o foco na construção de um grupo coeso, acaba servindo como uma espécie de espelho para a experiência proposta pelo anime, ao mesmo tempo em que oferece a liberdade de explorar um mundo repleto de possibilidades e surpresas a cada esquina. A ideia é simples, mas poderosa: transformar a dúvida em ação, a curiosidade em roteiro de jogo, e a imaginação em companhia constante durante a jornada.

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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