Ratinho Jr. não cede a ‘chantagem’ do PL e continua como opção do PSD à presidência
Segundo aliados, o governador do Paraná rejeita ser vice de Flávio Bolsonaro e mantém projeto próprio pelo PSD
No cenário político atual, o governador Ratinho Jr. deixou claro que não aceitara abrir mão do seu projeto para a Presidência pelo PSD, mesmo diante de conversas sobre uma composição com a chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro. O tema ganhou as manchetes após uma reunião em Brasília com o senador Rogério Marinho (PL-RN), onde uma possível indicação dele para compor como vice foi discutida, mas acabou sendo deixada de lado pelos aliados do governador.
De acordo com interlocutores próximos, Ratinho Jr. afirmou ter um caminho consolidado para pleitear a alta-carreira pela sua história dentro do PSD e destacou que continuará trabalhando para viabilizar essa candidatura dentro do partido. A legenda, por sua vez, deve definir o nome até o próximo dia 25, mantendo o foco no objetivo maior de chegar à Presidência. Nos bastidores, há quem veja o encontro com Marinho como parte de uma pressão do PL, mas as avaliações de quem está ao redor do governador insistem que não houve ultimato: ainda assim, houve cobrança para que Ratinho aceitasse integrar uma chapa liderada por Flávio Bolsonaro. “Chantagem com Ratinho não funciona”, repetiram alguns interlocutores.
Durante a conversa, Ratinho Jr. relembrou episódios da eleição municipal de 2024 em Curitiba, quando o PL apontou o vice na chapa vencedora, mas o então ex-presidente Jair Bolsonaro acabou apoiando Cristina Graeml no segundo turno. Mesmo diante desse histórico, ele sinalizou que pretende manter parte dos compromissos firmados naquela aliança e reforçou a disposição de apoiar o deputado Filipe Barros na disputa por uma vaga ao Senado pelo Paraná. No plano interno, há quem minimize a possibilidade de o PL apoiar outro nome para o Planalto — como o senador Sergio Moro — e assegure que isso não altera os planos do PSD. A leitura no entorno de Ratinho Jr. é de que a candidatura presidencial continua como o caminho natural dentro da agremiação.
No dia a dia, o que se percebe é uma estratégia de manter mobilizados os apoios dentro do PSD, ao mesmo tempo em que se reforça a construção de uma agenda que possa aparecer como alternativa viável para o eleitor comum. Nos bastidores, a avaliação é de que o episódio não muda a direção principal: Ratinho Jr. pretende seguir firme na trilha presidencial com o PSD, mantendo a liderança de um caminho que, na prática, já se mostra consolidado para os próximos passos da política nacional.
Em síntese, a ideia de uma composição com Flávio Bolsonaro não prosperou naquele momento, mas não derrubou a ideia de Ratinho Jr. como liderança relevante no cenário federal. Entre uma leitura de pressão política e a convicção de manter o curso, o governador do Paraná reforça que o seu plano permanece intacto, com o PSD olhando para o futuro e o Paraná ganhando visibilidade diante de uma corrida presidencial cada vez mais disputada.