Rachel Sheherazade detona mídia após exaltação de Virginia Fonseca
Jornalista reage a declaração que apontou influenciadora como a mulher mais relevante do país e questiona critérios de notoriedade
No que parece ter sido mais um dia de postura firme na voz das redes, Rachel Sheherazade se manifestou com veemência ao tomar conhecimento de uma publicação que colocou Virginia Fonseca como a mulher mais relevante do Brasil na atualidade. A jornalista e apresentadora — que recentemente tem mantido conversas polêmicas com o universo das celebridades digitais — viu a escolha ser recebida com surpresa e desconforto, especialmente porque Virginia se prepara para estrear como rainha de bateria da Acadêmicos do Grande Rio nesta terça-feira (17/2).
Na prática, Rachel usou as redes para protestar contra o que chama de construção de figuras públicas pela imprensa. Ela apontou que a mídia, de modo recorrente, dita quem merece espaço no horário nobre, qual conteúdo precisa impulsionar a discussão pública e qual imagem deve permanecer nos holofotes. Em sua visão, esse tipo de escolha restringe o debate e empurra para o segundo plano mulheres que, segundo ela, trazem contribuições significativas em áreas diversas.
“Rebaixa todas as mulheres brasileiras” — foi uma das frases centrais do desabafo, que não se limitou a uma crítica pontual. Ela reforçou a ideia de que a imprensa, ao eleger uma influenciadora de jogos de azar como símbolo de relevância feminina, mata a diversidade de caminhos que as mulheres percorrem e, acima de tudo, desvaloriza a trajetória de quem atua em ciência, artes, política e tecnologia. Nesse ponto, Virginia Fonseca aparece como objeto de debate, mas a discussão, para Rachel, deveria ir muito além de um rótulo casado com a aparência.
Para ilustrar seu argumento, a jornalista destacou a necessidade de reconhecer todo o potencial feminino que não cabe em manchetes fáceis. Ela lembrou o trabalho de Tatiana Sampaio, cientista brasileira que lidera pesquisas para a recuperação de movimentos em pessoas com lesão medular. “A mulher independente, intelectualizada, dona da sua opinião — essa mulher não cabe nas páginas das revistas?”, questionou, ampliando o tema para a importância de valorizar contribuições reais, não apenas a visibilidade momentânea de figuras midiáticas.
Ela também citou o papel da mídia em moldar referências públicas, citando ainda a editoria Gente da Veja — que, segundo seu relato, abriu grande espaço para o neto de um bicheiro, atual presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. A leitura de Rachel é clara: a narrativa que surge no ambiente editorial não é neutra e pode favorecer certas personalidades enquanto obscurece outras que, do ponto de vista dela, merecem destaque por suas ações concretas e impactos duradouros. A crítica não mira apenas Virginia Fonseca, mas a lógica de premiação que acompanha oSB conteúdo noticioso.
Nesse cenário, Rachel foi categórica ao defender que a mídia precisa ampliar o foco para que mulheres com trajetória intelectual ou científica recebam o espaço que merecem. “Nós temos mulheres brilhantes em todos os campos do conhecimento, mas a mídia insiste em coroar os bobos da corte, reforçando a ideia de que mulher não pode ousar ser mais do que apenas um rosto bonito ou um corpo em evidência”, afirmou. A reflexão vai além do entretenimento: é um apelo para que a cobertura jornalística reconheça a complexidade das trajetórias femininas e as diferentes formas de relevância que existem no país.
Como desdobramento dessa posição, a jornalista destacou o valor de trabalhos como o de Tatiana Sampaio, cuja pesquisa foca em recuperar movimentos em pessoas com lesão medular. Ela deixou claro que uma mulher independente e com opinião própria desvia de estéticas fáceis e, por isso, pode assustar quem prefere reduzir a atuação feminina a temas de aparência. Nesse tom, a crítica aponta para uma prática comum: reduzir mulheres a símbolos, ao invés de reconhecer a amplitude de suas conquistas e impactos concretos no dia a dia da sociedade.
Enfim, o posicionamento de Rachel chega como um manifesto sobre representatividade e critérios de notoriedade. Em sua leitura, a fortaleza humana não se mede por aparições em capas ou por números de curtidas, mas pela capacidade de inspirar mudanças reais, de estimular debates estimulantes e de contribuir para avanços na ciência, nas artes, na política e na educação. “Mulheres extraordinárias, como Tatiana Sampaio, que ajudam a curar tetraplégicos, precisam ser lembradas — não escondidas ou desvalorizadas pela imprensa”, concluiu a jornalista, deixando a reflexão pairando sobre o que realmente move a relevância social nos tempos atuais.
Mas o que muda na prática com esse tipo de críticas? No dia a dia, a discussão reacende o debate sobre o que é notícia e quem tem voz para ditar tendências. Enquanto isso, Virginia Fonseca permanece na agenda por sua própria agenda de entretenimento, assim como inúmeras outras mulheres que constroem carreira em áreas diversas. E o leitor, você, leitor, como encara esse equilíbrio entre visibilidade passageira e legado duradouro?