20% da população brasileira dorme menos que o necessário, aponta estudo
Sono insuficiente passa a ser considerado como doença crônica no Brasil. Além de dormir pouco, o brasileiro tem má qualidade de sono
No Brasil, uma leitura recente aponta que o sono da população está relacionado a uma condição identificada pela vigilância em saúde: a síndrome do sono insuficiente. Os números mostram que 20% dos brasileiros dormem menos de seis horas por noite, enquanto 31,7% enfrentam episódios de insônia. As informações vieram do Vigitel, a pesquisa anual que acompanha fatores de risco e proteção para doenças crônicas por meio de contatos telefônicos, com foco inicial no Distrito Federal e nas capitais do país.
Por que esse tema ganha relevância prática? Em entrevista a especialistas, a médica Andrea Toscanini, do Laboratório do Sono do IPq (Instituto de Psiquiatria) da Faculdade de Medicina da USP, ressaltou a importância de entender a insônia como uma condição crônica que afeta a vida diária. Além disso, a Organização Mundial da Saúde já reconhece a insônia como uma doença crônica em diversas regiões, o que reforça a necessidade de encarar o sono com mais atenção no Brasil.
Entre os pontos analisados, o estudo também traz diferenças relevantes entre grupos sociais. Por exemplo, quem não concluiu o Ensino Fundamental tem uma probabilidade maior de apresentar sono inadequado (cerca de 26,7%) comparado a quem concluiu o Ensino Superior (em torno de 15,9%). Já em relação ao gênero, as mulheres apresentam taxas de sono insuficiente em torno de 21,3%, enquanto os homens ficam próximos de 18,9%. Nesta leitura, fatores hormonais, renda e a sobrecarga de responsabilidades aparecem como componentes que influenciam esse quadro. A especialista aponta que, na menopausa, as alterações hormonais elevam a vulnerabilidade a transtornos de humor e à insônia, que costuma ser ligada a uma jornada mental mais agitada. Além disso, a percepção de menor renda muda a dinâmica do sono, já que muitas mulheres vivem com uma dupla função de cuidadora e provedora, o que aumenta a demanda sobre o descanso.
Conectando saúde do sono com qualidade de vida, a visão é clara: sono curto e de qualidade ruim elevam o risco de uma sequência de problemas. Entre as condições mais associadas estão depressão, hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardíovasculares e obesidade. Também há impactos cognitivos, que vão desde dificuldades de memória até problemas de atenção e concentração. Entre crianças e adolescentes, o sono interfere no rendimento escolar e pode estar relacionado a questões de atenção e até de bem-estar psicológico. Em síntese, a privação de sono se reflete tanto no corpo quanto na cabeça, moldando o dia a dia de quem vive esse desafio.
E como melhorar a qualidade do sono? A prática recomendada pela Sleep Foundation oferece um caminho simples e viável para quem busca regularidade e descanso melhor. No dia a dia, vale: manter rotina de sono consistente, evitar telas pelo menos 30 minutos antes de dormir, priorizar um quarto silencioso e escuro, evitar cochilos longos, praticar momentos de relaxamento e reduzir a exposição a luzes fortes à noite. Pequenos ajustes podem fazer diferença real ao longo do tempo.
- Estabeleça uma rotina de sono, dormindo e acordando no mesmo horário;
- Não utilize dispositivos eletrônicos a pelo menos 30 minutos antes de dormir;
- Opte por descansar em um ambiente silencioso e escuro;
- Não exagere em cochilos durante o dia;
- Pratique exercícios de relaxamento de corpo e mente;
- Evite luzes fortes antes de dormir.
No fim das contas, acompanhar a qualidade do sono não é apenas uma curiosidade, mas uma peça central para a saúde, o desempenho no dia a dia e o bem-estar geral. Você já ponderou como está seu descanso? Pequenas mudanças de rotina podem ter impactos significativos ao longo do tempo, mostrando que o sono não é mero intervalo, mas um ingrediente essencial da qualidade de vida.