Pressão sobre Irã: EUA enviam ao Oriente Médio novo porta-aviões, usado na captura de Maduro
Jornais americanos afirmam que USS Gerald Ford, maior máquina de guerra do mundo, vai se juntar à armada na região, enquanto Trump busca acordo nuclear
O Pentágono decidiu reencaminhar o porta-aviões USS Gerald Ford, que esteve à frente da operação que resultou na captura de Nicolás Maduro na Venezuela, para o Oriente Médio. A medida é interpretada como um movimento claro de pressão militar dos Estados Unidos sobre o Irã, justamente em meio a conversas sobre o programa nuclear do país e aos alertas de Donald Trump sobre consequências traumáticas caso um acordo não seja alcançado.
Antes disso, em janeiro, o governo americano já havia deslocado o USS Abraham Lincoln para a região do Golfo, mantendo a presença de uma grande força naval na área como mecanismo de pressão. Segundo a imprensa, o objetivo é mostrar que Washington está disposto a ampliar sua capacidade de dissuasão diante de tensões crescentes envolvendo o Irã e seus aliados regionais.
Na prática, Washington e Teerã passaram a dialogar indiretamente na semana passada, em Omã, sobre o futuro do programa nuclear iraniano. Foi o primeiro encontro diplomático entre Washington e Teerã desde que os Estados Unidos firmaram alianças estratégicas com Israel em um contexto de guerra aérea contra a nação persa no ano anterior. A reunião sinaliza uma tentativa de alinhar posições, ainda que haja ressalvas de ambos os lados sobre o alcance de qualquer acordo.
Além disso, o tema nuclear permanece no centro das atenções. Enquanto Omã defende que as negociações se concentrem exclusivamente na questão nuclear, Washington sinaliza interesse em discutir uma arquitetura militar mais ampla, incluindo mísseis balísticos e grupos armados regionais. A Casa Branca também expressou preocupação com possíveis violações dos direitos humanos no país, acrescentando camadas de complexidade ao panorama.
Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araghchi descreveu as negociações como um “bom começo” e afirmou que devem continuar. A mídia local trouxe relatos de que houve desejo de manter o diálogo ativo, sem ainda definir uma data para o próximo encontro. Já o chefe da agência atômica iraniana, Mohammad Eslami, afirmou que o Irã está disposto a “diluir” seu estoque de urânio fortemente enriquecido caso Washington suspenda todas as sanções.
Nos últimos dias, as tensões entre Washington e Teerã ganharam contornos de alerta contundente, com Trump elevando o tom ao falar de ações militares futuras caso não haja acordo. Ao mesmo tempo, as autoridades iranianas enfatizam a busca por um equilíbrio que evite confrontos diretos, ao mesmo tempo em que reforçam a ideia de manter suas linhas de defesa sob controle. No fim das contas, a resposta aos próximos contatos diplomáticos poderá influenciar não apenas a região, mas o ritmo de negociações globais sobre o programa nuclear iraniano.