Presidente interino da Venezuela diz: é hora de romper com Washington

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É hora de dar um basta às ordens de Washington, diz presidente interina da Venezuela

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Em Anzoátegui, no leste do país, Delcy Rodríguez sinalizou um corte de calibração no tom das relações com Washington, afirmando que já não é aceitável a intervenção externa nas decisões de política interna. O recado parece mirar diretamente a influência norte-americana sobre assuntos venezuelanos, com a leitura de que a agenda nacional deve nascer e prosperar a partir do próprio contexto político do país.

No papel, Rodríguez, que ocupava a vice-presidência durante o governo de Nicolás Maduro, assume temporariamente a gestão diante de um cenário delicado. Na prática, isso envolve manter negociações sob pressão externa — incluindo contatos sobre acordos energéticos — e um conjunto de negociações que se desenrola sob a órbita de autoridades americanas que já teriam liberado detidos por motivos políticos.

Enquanto isso, organizações de direitos humanos e a ONG Foro Penal apontam números contraditórios: mais de 100 presos por razões políticas teriam sido libertados no domingo, mas o processo continua sob escrutínio pela lentidão. O recorte oficial do governo aponta para o registro de libertações desde dezembro, totalizando 626 ex-carcerados, número que Rodríguez pretende submeter à verificação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.

Para contextualizar, o Foro Penal informou que foram identificadas 104 libertações no dia, e a checagem de outras solturas segue em andamento. Ainda assim, famílias de detidos permanecem concentradas na frente das unidades prisionais, passando a noite à espera de notícias de quem lhes é querido, enquanto o debate sobre o ritmo das libertações ganha contornos políticos e humanitários.

A apelo à paz e ao diálogo ganhou espaço na fala pública de Rodríguez. Ela convidou a oposição a negociar acordos que avancem a paz, destacando que não podem existir diferenças políticas quando está em jogo a estabilidade do país. Em La Guaira, reforçou que a partir das divergências é preciso buscar pontos de encontro e consensos que promovam a harmonia nacional.

No dia a dia, o país encara um controle estatal ainda mais rígido. Protestos ocorridos após a reeleição contestada de Maduro em 2024 resultaram na prisão de milhares de pessoas em um curto período, e o cenário de exceção continua punindo ações consideradas contrárias à política oficial. Entre os libertados mais recentes aparecem nomes ligados a diferentes setores, enquanto outras vozes da oposição permanecem detidas, alimentando a tensão entre busca por libertação e a continuidade de medidas de repressão.

Do lado internacional, os Estados Unidos reafirmam o papel de frente estratégica na Venezuela pós-Maduro, com afirmações de influência sobre as vendas de petróleo e a perspectiva de reaberturas diplomáticas. Em paralelo, a Administração recente nomeou uma nova responsável pela missão no país, sinalizando que as relações continuam a evoluir sob novos parâmetros. E embora as libertações ganhem espaço, a narrativa política permanece marcada por disputas e incertezas.

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Jornalista

Ana Martins

Designer de interiores apaixonada por achados acessíveis. Adora transformar espaços sem estourar o orçamento e compartilhar cada descoberta.

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