PM Corregedoria inicia expulsão de ten.-coronel por feminicídio

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Corregedoria da PM abre processo de expulsão de tenente-coronel acusado de feminicídio

Ao final do processo, Geraldo Leite Rosa Neto poderá perder salário que chega a quase 30 mil reais bruto

A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo abriu uma apuração disciplinar que pode terminar na expulsão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, detido desde a quarta-feira anterior, acusado de tirar a vida de sua esposa, Gisele Alves Santana, em fevereiro, com um disparo na cabeça. Além disso, ele responde por fraude processual. Conforme registros judiciais, cópias dos procedimentos internos deverão ser encaminhadas à 5ª Vara do Júri, do Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, por determinação judicial.

Na prática, a corregedoria também anexou cópia de depoimento de uma testemunha para as providências legais relacionadas a eventual falta funcional atribuída ao acusado. Caso a Justiça Militar decida pela expulsão, Rosa Neto deixará de receber o salário da carreira, uma mudança que impacta o cotidiano do militar.

Salário é um dos pontos centrais do processo: o valor bruto da remuneração chegou a quase 30 mil reais em fevereiro, enquanto o rendimento líquido informado fica em torno de R$ 15.092,39.

  • Possível expulsão da instituição
  • Geraldo Leite Rosa Neto permanece detido
  • Impacto financeiro significativo para o policial
  • Investigação envolve alegações de abuso e questionamentos processuais

O caso é ligado ao contexto de violência doméstica: Gisele foi encontrada morta no apartamento em que morava com o tenente-coronel, no Brás, região da zona leste de São Paulo. Ele acionou a polícia afirmando tratar-se de suicídio, versão contestada pela família, que pediu que as investigações apontassem outras possibilidades. Mensagens localizadas no celular do militar indicavam um relacionamento marcado por abusos, com ele se colocando como um “macho alfa” e cobrando comportamento “submisso” da esposa.

Entre os elementos apresentados pela perícia, destaca-se a reconstrução em 3D de todo o imóvel, com levantamento de medidas de móveis, portas e objetos, para analisar a dinâmica do fato. A polícia também examina como a visão de Neto poderia ter interferido na percepção do corpo dentro do apartamento, levando a contradições em depoimentos. Além disso, o material envolve a investigação sobre a possibilidade de a vítima ter visto a arma em alguém próximo ao momento do ocorrido.

O tenente-coronel foi preso preventivamente na semana anterior e a denúncia apresentada pelo Ministério Público foi aceita, mantendo-o na condição de réu. No dia a dia, esse caso coloca em pauta a complexa confluência entre padrões de comportamento em relacionamentos e a atuação de autoridades em situações de violência, enquanto a sociedade observa os desdobramentos legais com a expectativa de justiça.

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Jornalista

Fernanda Costa

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