Perícia recupera mensagens da PM Gisele apagadas por coronel. Veja
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Em São Paulo, o caso envolvendo a soldado Gisele Alves Santana e o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53 anos, volta a ganhar contornos de investigação. Conforme apuração, o oficial seria o responsável por apagar as últimas conversas trocadas com a esposa no dia que antecedeu o feminicídio, ocorrido em 18 de fevereiro. O militar permanece detido desde então.
A perícia realizada no celular da vítima gerou um laudo cuja conclusão foi apresentada na última quarta-feira, 25/03. O documento aponta que as mensagens finais entre o casal puderam ser recuperadas por meio de procedimentos técnicos, desmentindo a versão apresentada pelo oficial de que a vítima não aceitava o término do relacionamento.
Nesta investigação, fica claro que houve uma intervenção no conteúdo do aparelho após o disparo, o que levanta dúvidas sobre quem realmente manipularia as mensagens nesse intervalo de tempo. Na prática, a análise sugere que houve atuação para apagar traços que pudessem sustentar a versão de que a culpa pela separação seria da vítima.
Entre os pontos de maior relevância, as mensagens recuperadas mostram o último diálogo de Gisele com o coronel ocorrendo no dia 17 de fevereiro, entre as 22h47 e 23h. Nessa comunicação, a solicitante pediria que o oficial iniciasse o processo de divórcio. O trecho retratado demonstra que, segundo a leitura da perícia, a vítima já buscava encerrar o matrimônio e reafirmava a própria independência, ao afirmar que não desejava depender de ninguém.
Poucas horas depois, aproximadamente oito horas e meia após as mensagens, o queixa-autor foi baleado na sala do apartamento em que moravam, no centro da capital. A Polícia Civil aponta que o tempo até acionar o serviço de emergência foi prolongado, com o socorro chegando apenas depois de uma demora que permitiu que Gisele continuasse com vida por algum tempo. Ela foi levada ao Hospital das Clínicas, onde não resistiu e faleceu.
Com base nos elementos apurados, a investigação aponta que a estratégia de apagar conversas anteriores pode ter servido para sustentar a narrativa de que seria o pedido de separação feito pela vítima, e não pela parte acusada, o que aparece como uma linha de defesa não confirmada pela reconstituição dos dados. O conjunto de evidências reforça a necessidade de acompanhar com rigor os desdobramentos do caso e as conclusões da perícia, sempre com o objetivo de esclarecer o que de fato ocorreu no dia em que se deu o crime.
No dia a dia, esse episódio levanta questões sobre a preservação de mensagens e o papel da tecnologia na apuração de crimes. E, principalmente, reforça a importância de que os relatos sejam confirmados por dados objetivos, para que não haja margem para interpretações que possam prejudicar a verdade dos fatos.