Parceiro de Maduro deixa o cargo de procurador-geral na Venezuela

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Aliado de Maduro renuncia ao cargo de procurador-geral na Venezuela

O procurador-geral Tarek William Saab deixou o Ministério Público após quase nove anos à frente, mantendo aproximação com o governo e atuando como uma das figuras-chave do chavismo ao conduzir investigações e solicitar prisões de opositores. A saída ocorre em meio a um momento de turbulência política, com a ascensão da vice-presidente Delcy Rodríguez ao poder interino e a suposta captura de Maduro por autoridades internacionais. O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que informou que o Ministério Público ficará sob comando interino até a nomeação de um substituto. Saab, de 63 anos, passa a ocupar o cargo de defensor do povo, responsável por monitorar o cumprimento dos direitos humanos, posição que despertou críticas internacionais.

Na prática, Saab encerrou um capítulo de forte presença institucional e alinhamento com o governo, marcado por ações que o destacaram como voz central do Ministério Público. A sinalização de transição foi anunciada em meio às últimas movimentações políticas que moldam o cenário venezuelano, com o ofício de promotor sob nova direção temporária até a escolha de um titular estável.

Saab integrou o movimento que originou o chavismo nos anos 1990 e, autodenominado “poeta da revolução”, assumiu o MP em 2017, substituindo Luisa Ortega Díaz, que deixou o país após ser alvo de acusações de corrupção e de ter a prisão solicitada pelo sucessor. Ao longo dessa trajetória, ele se consolidou como peça-chave em investigações e decisões que ampliaram o poder de persecução contra opositores, posição que hoje é objeto de leitura crítica internacional.

Em entrevista concedida após a intervenção que resultou na suposta captura de Maduro, o então procurador comparou parte dos ataques a acontecimentos no Oriente Médio. “Algo do que foi feito em Gaza ocorreu na Venezuela,” refletiu, ao enfatizar que a violência e as operações de força não passaram despercebidas no país. Ele também destacou que Maduro tinha o reconhecimento de boa parte da comunidade internacional, enfatizando o peso político do cenário.

Dias após, o Parlamento aprovou uma lei de anistia que pode beneficiar detidos por motivações políticas, incluindo pedidos direcionados pelo Ministério Público. Segundo o Foro Penal, já foram liberadas 109 pessoas com base na nova legislação, enquanto mais de 1.500 pedidos aguardam análise. O regime, por sua vez, afirma que quase 2.200 detidos foram soltos ou tiveram restrições revogadas, ainda que não reconheça publicamente a existência de presos políticos. Paralelamente, o governo anunciou a reforma do Helicoide, em Caracas, com a ideia de transformar o espaço numa área cultural e cívica, uma mudança que reforça o tom de transição institucional no país.

No fim das contas, o movimento aponta para uma nova fase institucional que afeta o cotidiano de quem acompanha a política venezuelana, levantando questões sobre o equilíbrio entre poder, direitos humanos e liberdades civis.

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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