Palmeiras x São Paulo: saiba como a rivalidade com Crespo fez Abel Ferreira mudar seu estilo de jogo
Treinadores protagonizam uma das rivalidades mais interessantes do futebol paulista nos últimos anos
O clássico deste sábado entre Palmeiras e São Paulo, marcado para as 18h30 (horário de Brasília) em Arena Barueri, traz de volta o reencontro entre Abel Ferreira e Hernán Crespo. A disputa entre os dois treinadores já virou referência no cenário paulista, com polêmicas, jantares e decisões que ficaram marcadas na memória das torcidas ao longo dos últimos anos.
Apesar da rivalidade, a convivência entre eles é de respeito. No período em que o argentino esteve no Brasil pela primeira vez, em 2021, chegou a morar próximo de Abel, em uma coincidência que acabou virando assunto. O episódio ganhou contorno quando o Palmeiras avançou para a Libertadores naquela campanha e o treinador português citou um “vizinho chato” em tom de provocação, gerando debates sobre o limite entre rivalidade e companheirismo.
Quem conhece a história aponta que, nos bastidores, os técnicos trocaram muitas ideias e partilharam experiências. Foi nesse fio de conversa que Abel Ferreira entendeu a lógica da marcação por encaixes individuais, defendida pelo argentino, e que acabou moldando a leitura tática da equipe palmeirense. A publicação que acompanha a rivalidade ilustra esse processo como um ponto de virada, especialmente quando Crespo e Abel discutiram o funcionamento dessa linha defensiva.
O encanto de Crespo pelo modelo de defesa sul-americano, com raízes no estilo de Marcelo Bielsa, acabou influenciando o então treinador do Palmeiras. Durante o Paulistão de 2021, a leitura do argentino deixou Abel fascinado com o encaixe entre marcação individual e funcionalidade de setores. Na prática, o que se viu foi uma guinada: o português passou a valorizar mais a marcação por zona, explica-se, então, o caminho que levou o Verdão a adotar mais intensificação na organização defensiva, prática que persiste desde 2023, ainda que tenha recebido críticas de parte da torcida pela percepção de fragilidade quando o-time é pressionado.
O retrospecto entre Abel Ferreira e Crespo é equilibrado: sete duelos até aqui, com duas vitórias para cada lado e três empates. O último confronto acabou com triunfo do técnico português, em uma virada por 3 a 2 no Brasileirão de 2025, um jogo que ficou marcado também por polêmica de pênalti não marcado em Gonzalo Tapia, gerando descontentamento não apenas do São Paulo, mas de outras equipes que disputavam o título. A vitória dessas quartas de final no passado também ficou na memória: Abel levou a melhor na Libertadores de 2021, contribuindo para a conquista do título pelo Palmeiras, enquanto Crespo ficou com o único troféu entre os dois na temporada anterior, o Paulistão de 2021.
O cenário atual, porém, impõe pressão aos dois. O Palmeiras sofreu goleada por 4 a 0 para o Novorizontino, um desastre que marcou a passagem de Abel pelo clube, e o São Paulo perdeu por 3 a 2 para a Portuguesa, mantendo o Tricolor próximo da zona de rebaixamento no Paulistão. Ainda assim, o confronto permanece direto, com cada técnico buscando reagir sob o olhar atento da torcida e da imprensa, que cobram resultados e, claro, o estilo que já se tornou marca registrada de cada um.
Neste fim de semana, as equipes entram no campo com pressões distintas, mas o mesmo objetivo de sair com os três pontos para sustentar a sequência no estadual. A Arena Barueri recebe o duelo, em um contexto de mudanças no gramado e com muito brilho da história alimentando a narrativa de quem gosta de futebol tático e de rivalidade histórica.
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