Palanques estaduais e mais dinheiro para campanha movimentam janela partidária: ouça análise
O PL, do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, foi o maior beneficiado pela janela de troca partidária no último mês, segundo levantamento parcial do DIAP
Em meio a uma dança de alianças que sempre chama a atenção, o cenário político brasileiro ganhou contornos mais imprevisíveis com a chamada janela partidária. Durante 30 dias, deputados puderam mudar de sigla sem risco de cassação, o que mexeu, na prática, no mapa de forças das legendas para as próximas eleições. O período de trocas ocorreu entre 5 de março e 3 de abril, com o número final a ser confirmado apenas na segunda-feira, 6 de abril.
De acordo com levantamento parcial do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o Partido Liberal (PL) foi o grande protagonista: houve um salto de 12 cadeiras na bancada, com 20 novos parlamentares entrando e 8 saindo. No total, a legenda passou a contar com 97 deputados na Câmara.
Quem também pulou para frente foi o PSD, que registrou saldo positivo de 7 parlamentares. Já a União Brasil, sigla da qual Caiado saiu para a disputa presidencial, ficou com o maior recuo: 17 deputados a menos.
O PT, ainda sob o guarda-chuva do governo Lula, não filiou ninguém durante a janela e acabou perdendo 1 deputada, Luiziane Lins, que migrou para a Rede. O PDT, bastante próximo ao governo, foi outro grande perdedor, com redução de 6 cadeiras.
Na avaliação do cientista político Bruno Silva, um dos diretores do Movimento Voto Consciente, as mudanças refletem, em grande parte, estratégias voltadas às disputas estaduais. Além disso, ele aponta que o aspecto financeiro ajuda a explicar o fenômeno. “O PL foi quem mais se beneficiou por duas razões: primeiro, tende a ficar com a fatia mais expressiva do Fundo Partidário, distribuído em 12 parcelas; e, neste ano, também deve receber a maior fatia do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, que envolve um montante próximo a 5 bilhões de reais para financiar de forma efetiva as campanhas. Ou seja, há um peso financeiro que não pode ser ignorado”, afirmou.
No fim das contas, as trocas mostram como a composição partidária pode oscilar bastante em períodos curtos, influenciando pautas, alianças e estratégias em todo o espectro político. E você, leitor, já percebe mudanças no cenário local a partir dessas movimentações?