Oscar 2026: em quais categorias o Brasil está concorrendo ao prêmio do cinema?
Com cinco indicações no total, o cinema nacional quebra recordes em 2026; saiba quais categorias contam com tempero brasileiro
No clima de grandes acontecimentos, o cinema brasileiro chega ao Oscar com fôlego de Copa do Mundo: são cinco indicações em 2026, um marco que coloca o país na mira de cada anúncio e debate. E, depois da vitória de Ainda Estou Aqui no ano anterior, esse retorno ao Teatro Dolby chega com gosto especial, abrindo caminho para novas discussões sobre nossa produção audiovisual no cenário internacional.
O Agente Secreto domina boa parte da atenção nesta edição. Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o longa não apenas iguala o recorde de indicações de Cidade de Deus ao alcançar quatro indicações, como coloca Wagner Moura no protagonismo histórico: ele é o primeiro brasileiro convidado à categoria de Melhor Ator. Após conquistar o Globo de Ouro, Moura chega ao Oscar como um dos favoritos, em destaque pela complexa interpretação de Marcelo, um professor vigiado pelo regime militar em 1977. Do ponto de vista técnico, a produção evidencia uma fusão entre inovação digital e estética analógica: para evitar uma imagem excessivamente “limpa”, a equipe recorreu à ARRI Alexa 35 com lentes anamórficas Panavision, conferindo uma textura granulada que remete aos thrillers políticos dos anos 70. E mais: na pós-produção, houve uma limpeza digital em larga escala para retirar postes e elementos modernos, recriando a Recife de 1977. Além disso, o Brasil estreia na nova categoria de Melhor Direção de Elenco, com Gabriel Domingues liderando esse regimento de talentos. O processo de seleção envolveu audição remota e self-tapes, buscando mesclar estrelas consagradas a novas descobertas locais. Indicações oficiais: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco. Onde assistir: Netflix.
Sonhos de Trem — conhecido no circuito como Train Dreams — surge como exemplo de excelência técnica dentro do panorama nacional. O paulista Adolpho Veloso fez história ao se tornar o primeiro brasileiro indicado ao Oscar na categoria de Melhor Fotografia. O diferencial de Veloso foi a decisão de filmar com luz natural, prática que ele explicou em entrevista à ABC. A produção foi rodada em locações reais no Noroeste dos Estados Unidos para retratar a vida de um trabalhador ferroviário no início do século XX. Antes mesmo da indicação, Veloso já havia levado o Critics’ Choice Awards 2026 e o Spirit Awards 2026 na mesma categoria. Indicação oficial: Melhor Fotografia. Onde assistir: Netflix.
No campo dos documentários nacionais, o Brasil aparece com uma menção honrosa entre as 15 semifinalistas da Academia em 2026. Embora nenhuma dessas obras tenha chegado à lista final de cinco indicados, o conjunto reforça o peso internacional das produções nacionais. Entre elas, Apocalipse nos Trópicos, dirigido por Petra Costa, que recorre a um vasto acervo digital para investigar as interseções entre religião e política no Brasil contemporâneo. O filme chegou a figurar na BAFTA 2026, consolidando a diretora como uma referência relevante dentro do gênero. Outra produção relevante é Yanuni, coprodução entre Brasil e Estados Unidos, produzida por Leonardo DiCaprio, que acompanha a liderança indígena Juma Xipaia. O documentário utiliza tecnologia de imagem de alta definição para registrar a urgência do combate ao garimpo ilegal na Amazônia.
Em síntese, o conjunto de indicações reforça o momento atual do cinema brasileiro: uma mistura de narrativa envolvente, apuro técnico e experimentação que ganha visibilidade internacional. Para quem acompanha de perto as novidades da nossa indústria, fica o convite para observar como essas obras ganham espaço no maior palco do cinema, trazendo identidade, memória e olhar brasileiro para o debate global. E você, o que espera ver na cerimônia e quais filmes nacionais devem aparecer na lista de favoritos?