Oposição faz primeiro protesto na Venezuela após a queda de Maduro

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A demonstrator holds a placard during a march calling for amnesty for political prisoners and to mark Youth Day, in Maracaibo, Venezuela, February 12, 2026. REUTERS/Isaac Urrutia REFILE – CORRECTING EVENT FROM “GOVERNMENT-SPONSORED RALLY TO MARK INTERNATIONAL YOUTH DAY” TO “A MARCH CALLING FOR AMNESTY FOR POLITICAL PRISONERS AND TO MARK YOUTH DAY”.

Oposição faz primeira manifestação na Venezuela após queda de Maduro

A mobilização ocorreu em várias cidades, com foco na Universidade Central e debates sobre uma lei de anistia apresentada pela oposição ao chavismo

Milhares de opositores voltaram às ruas de Caracas nesta quinta-feira (12), na primeira manifestação expressiva desde a queda do ditador Nicolás Maduro, anunciada após uma operação internacional em janeiro. A mobilização aconteceu no momento em que a Assembleia Nacional iniciava a análise de um projeto de lei de anistia em segunda votação, cuja continuidade acabou sendo adiada para a semana que vem.

A ação de ontem integrou um movimento nacional que mobilizou pessoas em 17 estados do país. Em outras regiões, como Bolívar, Mérida, Táchira e Carabobo, estudantes universitários também cobraram a libertação de todos os presos políticos e maior transparência no tratamento das denúncias.

O foco da manifestação em Caracas foi o entorno da Universidade Central da Venezuela (UCV), principal instituição de ensino do país. Os opositores vestiam camisas brancas, símbolo típico da oposição, exibiam faixas e bandeiras contrárias ao regime chavista e repetiam a cobrança por anistia e pela libertação de presos políticos.

Segundo a ONG Foro Penal, que acompanha o sistema carcerário do chavismo, há mais de 600 presos políticos ainda aguardando libertação dentro do processo de indultos iniciado no dia 8 de janeiro. A líder opositora e ganhadora do Nobel da Paz, María Corina Machado, publicou no X um vídeo da mobilização e escreveu que o país precisa de liberdade para os estudantes. A proposta de anistia, apresentada por Delcy e defendida por Jorge Rodríguez, o presidente da Assembleia Nacional, prometia libertar detidos ao longo de quase três décadas, desde que não cometam violações graves de direitos humanos.

No entanto, o texto excluía crimes graves como violações de direitos humanos, crimes contra a humanidade, crimes de guerra, homicídio doloso, tráfico de drogas com pena mínima superior a nove anos e crimes contra o patrimônio público. Na prática, isso gerou dúvidas entre organizações de direitos humanos sobre quais critérios realmente seriam aplicados para conceder o benefício.

Durante a semana, a condução do debate foi descrita por interlocutores do governo como ambiciosa e capaz de representar uma virada significativa. Já especialistas alertam que, mesmo com a promessa de liberdades amplas, é possível que o número de liberados seja alto sem imposição de condições rigorosas. Por outro lado, entidades de defesa dos direitos humanos destacam a falta de divulgação de critérios detalhados, alimentando desconfiança entre a oposição.

Na semana anterior, os deputados aprovaram o projeto em primeira votação. A segunda estava prevista para terça-feira (10), mas foi suspensa para abrir espaço à consulta pública, com participação de juristas, líderes da oposição e familiares de presos políticos. O procurador-geral do país, Tarek William Saab, também esteve presente, entre outros membros do Judiciário. “Continuaremos a discussão na próxima sessão ordinária, na semana que vem”, afirmou Delcy.

Em entrevista exclusiva ao programa Meet the Press, da NBC News, a presidente interina afirmou que María Corina Machado deverá prestar contas caso retorne ao país, questionando seu apoio a intervenções militares e sanções. “Ela terá de explicar por que pediu intervenção militar, por que pediu sanções contra a Venezuela e por que celebrou as ações do início de janeiro”, disse Delcy. A chefe do governo interino manteve a tese de que Maduro continua sendo o “líder legítimo” da Venezuela, acrescentando que “tanto o presidente Maduro quanto Cilia Flores são inocentes” (com informações de agências internacionais).

As informações vêm de fontes que cobrem a situação no país.

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Jornalista

Renata Oliveira

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