Enquanto Isso na Sala da Justiça’, em Olinda, faz parte da história dos foliões
Tem nerds na folia de Olinda, e são milhares! Na cidade, já é tradição que o domingo de carnaval …
Quem diria que o carnaval de Olinda reserva espaço para os fãs de cultura pop. No domingo de folia, a concentração histórica do bloco Enquanto Isso na Sala da Justiça invadiu as ruas com uma vibe divertida e nostáliga para a criançada e para os adultos que não largam o cosmo dos super-heróis. A festa, que já é tradição no Alto da Sé, atraiu um público estimado em cerca de 15 mil pessoas fantasiadas de figuras da cultura pop, em especial de heróis e vilões das telonas e dos quadrinhos. Além disso, a edição deste ano marcou a nova investida do grupo: o tão esperado retorno do Homem-Aranha nas alturas, defendendo a cidade com a ajuda de energia e humor.
Originalmente criada a partir de uma ideia despretensiosa entre amigos, a história do bloco nasceu em 1995, quando um grupo decidiu transformar o desfile em uma grande celebração de super-heróis. Hoje, o projeto já é parte da rotina carnavalesca local, reunindo fantasias que vão muito além do básico e que conversam com público de todas as idades. No dia a dia, o clima é de parceria entre quem veste capa, armadura ou fantasia de desenho, com a promessa de que todos desfilam com alegria e respeito.
Entre as curiosidades, destaca-se a presença de figuras conhecidas no universo dos cosplayers pernambucanos, que aparecem como Arlequina Oficial e Coringa PE, com figurinos que chamam atenção tanto das crianças quanto dos adultos que passam pela concentração. E não faltam surpresas: a consagrada Angelina Jolie em versão Malévola fez sua estreia no bloco, trazendo a characteristic imponência da personagem. Quem já é folião de carteirinha, como a dedicada Vovó Maravilha, aparece há 13 anos para lembrar a importância de manter viva a tradição de brincar com as fantasias, exatamente para manter as netas e o bisneto encantados.
No centro das atenções, o foco continua sendo o espaço para a imaginação desenfreada. Além de super-heróis, muitos aparecem como personagens de desenhos e animes, como Os Simpsons, One Piece e até referências a corridas malucas, sempre com uma pitada de frevo para marcar o ritmo do carnaval local. A proposta, na prática, é simples: vestir-se como quem se admira e celebrar junto com a família, amigos e curiosos que passam para conferir.
Para quem gosta de história e bastidores, a edição celebra a união de duas lendas: o Velho do Rio e a Perna Cabeluda, que caminham lado a lado na fantasia de alguns foliões, acompanhados por objetos‑símbolo como uma estatueta do Oscar, remetendo a referências de filmes. Do outro lado, o enredo de quem leva o humor para o bloco também inspira a criançada, com apresentações que misturam o entretenimento com a tradição da cidade.
Informal, afetuoso e colorido, o Sala da Justiça atrai não apenas fãs de super-heróis, mas famílias inteiras que ocupam as ruas com crianças vestidas de Mulher Maravilha, Homem de Ferro, Princesas e muitos outros ícones que existem apenas na imaginação. O espetáculo costuma começar pela manhã e recebe o reforço de atrações que animam o público, desde a linha de frente com as fantasias mais ousadas até os sorrisos das crianças que olham para os palcos improvisados pelas ruas de Olinda.
Antes do desfile, o grupo organizador faz a contagem regressiva para o ponto alto do dia: a apresentação do Homem-Aranha, que fica também em uma posição elevada, quase sempre em uma estrutura de suporte, e que se transforma em um momento de interação com a plateia. O vilão é apresentado de forma lúdica, e a narrativa é conduzida por um narrador que ressalta o papel do herói na cidade, sempre com muita energia para improvisar as fotos com as crianças ao final da performance. E, claro, tudo isso acontece com o apoio de outro bloco, o Gota D’Água, formado pelos técnicos da Compesa, que ajudam a manter a atmosfera segura e divertida durante a apresentação.
No conjunto, a cobertura de carnaval ganha também o tom de muita celebração da cultura pop e da criatividade dos foliões pernambucanos. Os preparativos começam muito antes do dia do desfile, com planejamento de figurinos que vão desde padrões tradicionais até as releituras mais inusitadas, sempre com o objetivo de entreter quem está nas ruas. Não é apenas uma festa; é um espaço de encontro entre gerações, onde cada fantasia fala de infância, de lembranças e de orgulho pela arte de se vestir de personagens queridos.
Além de toda a magia dos trajes, o Salão da Justiça se sustenta com a participação de cosplayers que transformam a fantasia em profissão de verdade. A Arlequina, por exemplo, comenta que a escolha por uma das personagens mais pedidas pela criançada é justamente a chance de aproximar as crianças do universo dos quadrinhos, já que o contato com a fantasia facilita a imaginação dos pequenos. Por outro lado, quem veste a Malévola enfatiza a experiência de enfrentar o calor da rua, algo que já faz parte da rotina desde 2014 e que não assusta quem está acostumado a desfiar o carnaval com rigor e criatividade.
Entre famílias, o clima de união é visível. A concentração no Alto da Sé se transforma em um grande encontro de gente que curte o tempo de folia com crianças, que iluminam o dia com fantasias de super‑heroína, super‑-heróis e personagens de desenhos. O que mais aparece, porém, são os olhos curiosos para o Homem-Aranha e a Mulher Maravilha, seguidos de princesas, Homem de Ferro e foliões que abraçam o frevo com a mesma alegria com que abraçam a fantasia.
Em resumo, o Sala da Justiça já se tornou parte de uma história de carnaval em Olinda, mantendo vivo o espírito dos nerds que brincam, vestem fantasias e encantam o público com performances que misturam humor, coragem e muita criatividade. No fim das contas, é essa soma de tradição, imaginação e convivência que fascina tanto quem desfila quanto quem observa, reforçando a ideia de que a folia pode, sim, ser um grande palco de cultura pop no coração do Nordeste.