Nova queda de energia em Cuba deixa ilha no escuro, embargo dos EUA

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Novo apagão em Cuba deixa a ilha inteira no escuro em meio a bloqueio energético dos EUA

Sexto blecaute em meses ocorre enquanto o governo de Washington aperta o cerco ao regime castrista e a crise se cruza com a situação na Venezuela

Um novo blecaute atingiu Cuba nesta segunda-feira, deixando grande parte da ilha às escuras e consolidando o sexto apagão em um ano e meio. Segundo o Ministério de Energia e Minas (Minem), houve uma desconexão total do Sistema Elétrico Nacional (SEN) e as causas permanecem sob investigação, com protocolos para o restabelecimento já em curso.

A responsabilidade pela geração, transmissão e distribuição fica com a União Elétrica de Cuba (UNE), e o quadro aparece mais sensível ainda diante dos números críticos: a capacidade de geração estimada em 1.220 MW contrasta com uma demanda de pico de 3.150 MW.

A tensão no dia a dia ganhou contornos de violência simbólica quando manifestantes invadiram a sede do Partido Comunista na cidade de Morón, acendendo um capítulo de protestos que acompanha a crise energética desde o fim de semana.

No eixo internacional, a situação se complica pela dependência histórica de petróleo venezuelano. A partir de mudanças no cenário venezuelano — incluindo a operação que resultou na captura de Nicolás Maduro — os fluxos de remessas despencaram e os Estados Unidos intensificaram o cerco ao complexo petrolífero de Caracas. Além disso, houve relatos de acordos com governos interinos que ampliam o controle sobre o combustível extraído, fortalecendo a pressão externa sobre Havana.

De volta a Cuba, o presidente Díaz-Canel informou que as remessas de petróleo não chegam há mais de três meses e que a ilha tem atuado com energia solar, gás natural e usinas termoelétricas para manter o serviço em funcionamento. No contexto da pressão externa, as conversas com autoridades dos EUA são apresentadas como tentativa de encontrar saídas por meio do diálogo, ainda que as dificuldades permaneçam no dia a dia.

No plano global, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já alertou para o risco de “colapso humanitário” caso Cuba não consiga importar combustível suficiente para atender às necessidades básicas. A ONU acompanha as negociações com Washington para viabilizar um envio humanitário de petróleo à ilha, em meio às tensões políticas que atravessam a região.

No cotidiano, a população sente o peso da crise com interrupções prolongadas do fornecimento: cortes que chegam a mais de 20 horas por dia em grandes regiões e, na capital, em torno de 15 horas diárias. A leitura é simples, mas dolorosa: energia menos previsível significa menos serviço público, menos comércio e mais desafios para famílias que já lidam com escassez.

  • Seis apagões em 18 meses.
  • Capacidade de geração de 1.220 MW versus demanda de pico de 3.150 MW.
  • Protestos após invasão da sede do Partido Comunista em Morón.
  • Dependência de petróleo venezuelano e queda de remessas após a captura de Maduro.
  • Risco de colapso humanitário e atuação da ONU na resposta ao fluxo de combustível.

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Jornalista

Fernanda Costa

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