Nova intervenção médica para deter crises de soluços de Bolsonaro

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A nova intervenção médica planejada para deter as crises de soluço de Bolsonaro

É a décima cirurgia do ex-presidente desde que sofreu facada, em 2018; seu estado de saúde é acompanhado com atenção por políticos e apoiadores em momento de disputas na direita.

O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta hospitalar nesta quinta-feira, 01/01, e já retornou à Superintendência da Polícia Federal em Brasília para retomar o cumprimento da pena de 27 anos por golpe de Estado e outros crimes. A Secretaria Médica que o acompanha já havia sinalizado a possibilidade de alta recente, consolidando o desfecho de uma sequência de internações.

Bolsonaro, que mantém a defesa de inocência, havia sido internado em 25 de dezembro para uma série de procedimentos. Ao longo dos últimos anos, ele tem passado por diversas cirurgias, exames e tratamentos desde o atentado de 2018, quando levou uma facada durante a campanha. A internação atual, ocorrida no hospital DF Star, em Brasília, incluiu uma cirurgia para corrigir hérnias inguis na região da virilha. Em 30/12, o assessor Carlos Bolsonaro (PL-RJ) informou que o pai voltou a apresentar soluços pela manhã, mesmo após duas intervenções desde o último sábado para tratar as crises recorrentes.

Nesse período, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também se manifestou, publicando que o marido havia apresentado soluços intensos e descrevendo as medidas adotadas pela equipe médica. “Meu amor apresentou quadro de soluços às 10h, que não cessaram. A equipe optou por reforçar o bloqueio do nervo frênico. Seguem dias difíceis e contamos com as orações de todos”, registrou ela nas redes.

Entre os procedimentos realizados, destaca-se a bloqueio do nervo frênico, técnica que trabalha no controle do diafragma por meio de anestesia local. No domingo (27/12), já tinha ocorrido o bloqueio do nervo direito; dois dias depois, o procedimento foi repetido no nervo esquerdo. Na terça-feira seguinte, houve um reforço dessa aplicação, segundo as informações médicas. No fim do mês, o corpo clínico informou que o ex-presidente permaneceria em cuidados pós-operatórios e passaria por uma endoscopia digestiva alta para investigar a persistência de esofagite e gastrite, além de manter tratamento para refluxo, fisioterapia respiratória, uso noturno de CPAP e medidas preventivas para trombose.

O cardiologista Brasil Ramos Caiado, um dos médicos ao lado de Bolsonaro, comentou que o quadro envolve soluços persistentes ou intratáveis, um conjunto de ocorrências raras que costumam ter ligação com doenças prévias do abdômen ou do trato gastrointestinal. Em entrevistas na porta do hospital, ele explicou que tais episódios, embora pouco frequentes, podem ser agravados por condições associadas à cirurgia abdominal que o ex-presidente já enfrentou ao longo dos anos.

Remontando o andamento recente, no dia 12 de dezembro Carlos Bolsonaro publicou um vídeo mostrando o pai durante uma crise de soluços, gravado antes da prisão em uma cela especial da PF, ainda em novembro. Na ocasião, Carlos voltou a criticá-la, chegando a afirmar que o pai poderia morrer caso broncoaspirasse pela constância do refluxo. Ele ressaltou que o cuidado médico é indispensável 24 horas por dia, e que a situação representa risco real e imediato à vida quando não há acompanhamento adequado.

Sobre a própria decisão de manter Bolsonaro sob vigilância médica na prisão, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, não atendeu aos pedidos para restaurar a prisão domiciliar com base na saúde, mas autorizou acompanhamento médico constante com livre acesso de profissionais de saúde e atendimento de plantão na Polícia Federal. A prisão ocorreu após o ex-presidente ter danificado a tornozeleira eletrônica com solda. A condução à PF, com esse contexto de saúde, gerou uma atmosfera especial de monitoramento médico.

A nova internação também trouxe desdobramentos no cenário político da direita. Mesmo detido, Bolsonaro continua visto como o principal nome entre os conservadores, o que mantém de pé a leitura de que seu estado de saúde é decisivo para o rumo das próximas disputas eleitorais. Nos últimos dias, família e apoiadores se manifestaram em solidariedade, ao mesmo tempo em que movimentações políticas passaram a tomar corpo em torno das eleições de 2026.

No âmbito interno, a estratégia de visitas também foi reorganizada. Inicialmente, Michelle teve a permissão para visitar, mas depois a permissão foi estendida aos filhos. A cirurgia de hérnia inguinal bilateral apareceu como o principal motivo da nova internação, e o plano médico manteve o monitoramento rígido com uma equipe de plantão.

Entre as leituras que cercam o momento, houve quem visse a evolução da situação como parte de uma tensão entre quem compõe o núcleo da direita. Em meio a isso, Flávio Bolsonaro leu uma carta que, segundo ele, foi escrita e assinada pelo pai, com apoio formal à candidatura do próprio Flávio à Presidência em 2026. O episódio acentuou ruídos entre aliados, com críticas sobre a forma de comunicação e a necessidade de alinhamento estratégico entre as lideranças do grupo.

Enquanto as bases da direita acompanham a recuperação, o cenário político segue aberto. Ainda que haja expectativa de que o ano de 2026 reserve mudanças relevantes, o que fica claro é que a saúde de Bolsonaro continua a condensar atenção pública, moldando conversas, alianças e apostas para o futuro imediato do país.

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Jornalista

André Santos

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