Netanyahu: mais da metade dos objetivos atingidos na guerra contra Irã

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Netanyahu diz que ‘mais da metade’ dos objetivos militares já foram alcançados em guerra de Israel e EUA contra o Irã

Trump ameaça encerrar a ofensiva em semanas, com ou sem acordo; región segue sob tensão com movimentos de aliados e novos embates entre potências.

Em uma declaração que repercute entre analistas e fãs de atualidades, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, durante conversa com jornalistas no Salão Oval, que os EUA “deveriam deixar” o Irã em “duas ou três semanas”, independentemente de haver ou não um acordo. Segundo ele, o objetivo central — impedir que o Irã tenha armas nucleares — já foi atingido, e o país estaria “terminando o trabalho”. A guerra, iniciada pelos EUA e Israel contra o Irã, acompanha o relógio há cerca de um mês, com avaliações de que houve uma mudança de regime após ataques a vários líderes políticos e militares de alto escalão. Os novos governantes em Teerã teriam mostrado traços menos radicais e mais racionais do que seus antecessores. Ainda assim, o Irã recusa insistir em negociações, repetindo que está implorando por um acordo apenas sob condições que considerar aceitáveis.

Para além das declarações de Trump, o Irã tem sua própria leitura do momento. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian já havia sinalizado, anteriormente, que o Irã dispõe da vontade necessária para encerrar o conflito, desde que certas condições sejam atendidas — um recado que ressalta que as negociações, quando existirem, seguem por vias complexas. No cotidiano das bolsas e dos gabinetes estratégicos, essa interdependência de falas ascendentes e recuos dramáticos alimenta um cenário de incerteza que se arrasta há semanas.

Enquanto o otimismo inicial oscilava, o desdobramento também ganhou contorno diplomático. A imprensa divulgou que as declarações de Trump foram recebidas com peculiar receptividade nos mercados norte-americanos, ainda que o Irã permaneça firme em sua linha de não negociação direta. Aos poucos, o equilíbrio entre pressões militares, sancionadoras e diplomáticas vai definindo o ritmo de uma crise que envolve aliados tradicionais e vizinhos próximos, com consequências que vão muito além das fronteiras.

Do lado europeu, o dia trouxe outro capítulo importante: o Reino Unido decidiu intensificar o apoio à região, com anúncios de envio adicional de tropas e de sistemas de defesa aérea para defensivas ações no Golfo e no Delta do Nilo. Ao todo, a ideia é elevar o contingente a algo próximo de milhares de militares envolvidos na proteção de áreas sensíveis como a Arábia Saudita, o Bahrein e o Kuwait, além da ampliação do emprego de jatos Typhoon no Qatar. O ministro da Defesa britânico, John Healey, explicou que equipes e sistemas de defesa estariam sendo enviados para reforçar a proteção dos céus da região, com a integração do sistema Sky Sabre às defesas aéreas já existentes. “O que o Reino Unido tem de melhor ajudará vocês a defender seus céus”, afirmou Healey durante a missão de alinhamento regional.

Nas palavras de Trump, porém, a postura de parceiros históricos não é unanimidade. O próprio presidente mencionou que países que não participaram dos ataques iniciais deveriam “buscar seu próprio petróleo” no estreito de Ormuz, acrescentando que muitos dependem de combustível de aviação e, por isso, deveriam agir com mais coragem. Em resposta, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reiterou que seus interesses e aliados na região serão defendidos, mas garantiu que trocas diretas de tropas para atuar no Irã não ocorrerão, para não transformar a região em palco de confronto direto com Teerã. Curiosamente, a mobilização britânica vem acompanhada de autorização anterior de uso de bases britânicas para ações defensivas dos EUA, um ponto que diverge de reiteradas posições públicas de Starmer.

Entre os atores já conhecidos na geopolítica do Oriente Médio, o premiê israelense Benjamin Netanyahu atualizou previsões, afirmando que, na prática, a ofensiva já superou a marca de metade dos objetivos estabelecidos. Ainda assim, ele pontuou que os ganhos se relacionam a missões específicas, não a um calendário de tempo, destacando que a guerra causou a morte de milhares de membros da Guarda Revolucionária Islâmica e que os Estados Unidos e Israel estariam próximos de reduzir significativamente a indústria de armamentos iraniana — até o ponto de destruir fábricas inteiras e comprometer o próprio programa nuclear. O retorno de sinais positivos, contudo, não apaga as dúvidas sobre o desfecho a curto prazo, nem sobre as consequências regionais de uma escalada contínua.

Enquanto isso, reportagens de veículos de imprensa apontam que Trump, de acordo com interlocutores citados pelo Wall Street Journal, enfatizou a possibilidade de encerrar a campanha militar contra o Irã mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça em grande parte fechado. Em contrapartida, a Casa Branca disse que as informações devem ser entendidas apenas como elucidações de agenda, sem confirmar esse cenário com detalhes oficiais. Do lado iraniano, o porta-voz Esmaeil Baqaei negou qualquer negociação formal com os EUA nos 31 dias de conflito, explicando que houve apenas um envio de propostas norte-americanas por intermédios, incluindo o Paquistão. Em resumo, o Irã mantém a linha de que sua defesa é prioridade, mesmo diante de pressões externas cada vez mais intensas.

Ao longo do dia, novas ações no terreno acrescentaram tensão à região. De Dubai vieram relatos de ataques a um navio com cerca de 2 milhões de barris de petróleo a caminho da China, com fogo a bordo e quatro pessoas feridas. O cargueiro, identificado pela imprensa como pertencente à Kuwait Oil Tanker Company, ficou parcialmente queimado, mas parte da tripulação foi resgatada com segurança. Em paralelo, as autoridades locais situaram que o incidente envolveu uma série de impactos causados por drones, mísseis interceptados e danos a infraestruturas próximas. Relatos da defesa dos Emirados Árabes Unidos indicaram que o som de interceptações com mísseis balísticos e de cruzeiro foi audível na região, e que Kuwait, Arábia Saudita e outras áreas vizinhas também sofreram impactos de uma intensa atividade de drone e artilharia, sem registro de feridos graves até aquele momento.

No campo diplomático, o estreito de Ormuz se tornou novamente eixo de controvérsia. Um painel parlamentar iraniano aprovou planos para impor pedágios a quem transita pelo estreito, o que incluiria navios norte‑americanos e israelenses entre os transitáveis ou não, conforme a nova regulação. A medida, anunciada pela televisão estatal iraniana e apresentada como parte de uma cooperação com Omã, busca assegurar que as passagens que respondem por uma parte relevante do petróleo mundial continuem sob controle. Estima-se que cerca de 20% do petróleo bruto global percorra esse corredor estratégico entre o Irã e Omã, o que torna qualquer decisão de pedágio um assunto de grande repercussão econômica internacional. Enquanto as partes avaliam as consequências, a vida cotidiana das pessoas da região segue com os alertas de segurança como rotina, lembrando que o conflito não é apenas uma tese de geopolítica, mas uma realidade que impacta o dia a dia de milhares de famílias.

Em meio a tantas frentes abertas, o que fica para o público é uma sensação ambígua: por um lado, há relatos de avanços em determinados objetivos; por outro, cada novo ataque ou retaliação reacende o medo de uma escalada descontrolada. E, no fim das contas, a pergunta que não sai da cabeça é a mesma: quais serão as próximas semanas e como elas vão redesenhar o mapa político e econômico da região — e, por extensão, do mundo?

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Jornalista

Sarah Martins

Jornalista especializada em lifestyle e decoração. Responsável por criar guias, tutoriais e reviews que realmente ajudam nas escolhas.

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