Moraes concede 90 dias de prisão domiciliar a Bolsonaro após 4 meses

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Por que Moraes decidiu conceder prisão domiciliar por 90 dias para Bolsonaro após quatro meses de cadeia

Bolsonaro segue internado no DF Star, em tratamento de uma pneumonia bacteriana bilateral

Em uma decisão que altera o ritmo do caso, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou Jair Bolsonaro a cumprir a prisão domiciliar de forma temporária. O benefício terá a duração de 90 dias, contados a partir da alta hospitalar, para favorecer a recuperação de uma broncopneumonia que o ex-presidente enfrenta. A internação recente ocorreu após nova hospitalização no DF Star, em Brasília, destacando a busca por um tratamento mais pulmão-friendly e contínuo.

No balanço trazido pela decisão, Moraes aponta que, passados esses 90 dias, deverá haver uma nova avaliação médica para decidir se Bolsonaro pode retornar ao regime anterior, na área conhecida como Papudinha, a cela do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, onde ele estava detido desde janeiro. Em outras palavras: o período de observação e tratamento em casa não é definitivo, e a continuidade da custódia depende de uma verificação de condições de saúde e de segurança.

O próprio texto da decisão ressalta que a literatura médica indica entre 45 e 90 dias o prazo comum para a recuperação plena da doença. Com esse respaldo técnico, Moraes entende que, neste momento, manter o ambiente doméstico pode favorecer a recuperação do paciente sem deixar de preservar a integridade de quem está sob custódia. Em síntese: a avaliação clínica atual apontou que a residência é o ambiente mais adequado para a preservação da saúde do ex-presidente.

Entre as regras impostas, o ministro enfatiza uma série de limites para a prisão domiciliar. Dentre eles, está a proibição de acampamentos, manifestações ou grandes aglomerações a menos de 1 km do endereço. Além disso, o retorno da tornozeleira eletrônica é obrigatório enquanto Bolsonaro permanecer em casa de recuperação—e o uso de celular ou de outros meios de comunicação externa permanece vedado, sem autorização judicial específica. Mesmo as visitas passam por condições de vistoria prévia, com celulares e dispositivos eletrônicos mantidos sob guarda dos agentes de segurança.

Enquanto estiver em casa, Bolsonaro poderá receber visitas limitadas de seus filhos e de advogados, seguindo os horários que já haviam sido autorizados na Papudinha. Também estão permitidas visitas médicas e sessões de fisioterapia, desde que acompanhadas pela segurança. Moraes, porém, determinou que todos os veículos saindo da residência passem por vistorias, reforçando o controle durante a fase de recuperação. Em função da internação, foram suspensas outras visitas previamente autorizadas, justamente para manter o foco na recuperação do ex-presidente.

A decisão chegou pouco depois de o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, sinalizar apoio ao pleito, entendendo que havia agravamento da saúde de Bolsonaro em relação ao início de março. Além disso, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve no gabinete do ministro no dia anterior para falar sobre o estado de saúde do marido e reforçar os argumentos a favor da prisão domiciliar.

Bolsonaro, com 71 anos, já passou por diversas cirurgias e internações desde 2018, quando recebeu uma facada durante a campanha presidencial. Durante o episódio mais recente, ele foi transferido, em 13 de março, para o DF Star, antes de ser encaminhado a um quarto na véspera. O tratamento atual busca combater a pneumonia bacteriana bilateral, causada por broncoaspiração, com antibióticos venosos, suporte clínico e fisioterapia respiratória. Ainda não há um prognóstico de alta disponível.

No contexto recente, o ex-presidente já havia passado por mudanças no regime de custódia: em novembro, uma vigília convocada pela família levou à revogação da prisão domiciliar; em janeiro, ele foi transferido para a Papudinha, após avaliações que apontavam melhores condições de atendimento médico. A defesa, por sua vez, continua argumentando que o monitoramento constante é indispensável, e que somente em regime domiciliar seria possível garantir esse cuidado contínuo. Em meio a isso, a estratégia de Moraes busca equilibrar saúde, segurança e a legalidade do processo.

Mas, afinal, o que muda na prática com essa decisão? No dia a dia, a vida pública de Bolsonaro fica sob uma nova rotina de internação em casa, com regras claras, e com a possibilidade de retorno ao regime anterior caso a avaliação médica confirme a necessidade de continuidade do tratamento em ambiente institucional. E para o leitor comum, a expectativa gira em torno de como a saúde do ex-presidente pode influenciar o cenário político nos próximos meses, em um radar que mistura saúde, justiça e política.

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Jornalista

Lucas Almeida

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