Moraes autoriza Guilherme Derrite a visitar Bolsonaro na prisão
Deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública da gestão Tarcísio é pré-candidato ao Senado pelo PP de São Paulo
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta segunda-feira, 16 de fevereiro, a ida de Guilherme Derrite (PP-SP) para visitar Jair Bolsonaro na unidade de cumprimento de pena, conhecida como Papudinha. A visita, que ocorre no contexto da condenação por tentativa de golpe, está marcada para o dia 25 de fevereiro, entre 8h e 10h, sem detalhamento de argumentos no despacho que liberou o trajeto do parlamentar.
Além de ocupar cadeira no Congresso, Derrite é pré-candidato ao Senado pelo PP de São Paulo. A trajetória dele, no entanto, não está isenta de controvérsias: durante a gestão de Tarcísio de Freitas, o então secretário de Segurança Pública de São Paulo enfrentou crises que alimentaram críticas sobre a condução da pasta. Ainda assim, o governador manteve a permanência dele no cargo por algum tempo, até a substituição que se seguiu.
A troca ocorreu com a nomeação de Nico Gonçalves, que atuou como delegado-geral da Polícia de São Paulo e acumula mais de 45 anos de atuação na corporação. No fim do ano passado, Derrite tirou licença do cargo para se dedicar ao PL Antifacção, projeto lançado pelo governo federal nas semanas que antecederam a Operação Contenção, que resultou em dezenas de mortes nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. A matéria ganhou contornos de debate nacional e acendeu a discussão sobre segurança pública no país.
Após cinco versões do relatório, o PL Antifacção avançou na Câmara com modificações em relação ao texto original. Derrite chegou a tentar renomear a proposta, sugerindo o título Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, o que provocou atritos com a base governista. Mesmo assim, a tramitação trouxe visibilidade ao parlamentar e o colocou no centro do debate sobre segurança pública, tema que os eleitores devem acompanhar de perto nas urnas de outubro.
Já no Senado, o projeto ficou sob a relatoria de Alessandro Vieira (MDB-SE), que conduziu o processo de forma mais técnica e retomou pontos defendidos pelo governo na proposta original. No fim das contas, a história da visita e do projeto evidencia como decisões institucionais de alto impacto repercutem na percepção pública sobre segurança, política e eleições, lembrando que, no dia a dia, esses desdobramentos ganham vida nas pautas que chegam até os lares das pessoas.