Michelle comunica a Bolsonaro que não fará campanha para Flávio
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) informou a aliados que não pretende se engajar na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). A comunicação teria sido repassada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo Bianca Gomes, do Estadão. Flávio afirmou que fala “diretamente” com Michelle e que não pretende “alimentar tentativas de divisão”, ressaltando que o grupo tem “um objetivo em comum” de enfrentar o PT. Nos bastidores, o assunto ganha contornos de estratégia e tensões, com a orientação de atuação discreta no pleito, diferente de 2022.
Na prática, correligionários relatam que Michelle disse a pessoas próximas que não apoiará o enteado na corrida presidencial, mas que não pretende atacar publicamente o filho. A orientação interna é manter um perfil baixo ao longo da campanha e evitar confrontos públicos que possam atrapalhar o discurso do grupo. A decisão parece ter se consolidado após uma mensagem enviada por Flávio no mês anterior, na qual ele insinuou que Michelle estaria atuando contra a candidatura dele. Aliados afirmam que ela se sentiu insultada pela abordagem, e interlocutores indicam que a posição pode mudar caso haja um pedido de desculpas formal.
Além disso, o anúncio passa pelo contexto de afastamento de Michelle da presidência do PL Mulher desde dezembro de 2025, sob justificativas médicas. A mudança ocorre num momento em que o grupo discute a definição de candidaturas para 2026, buscando manter a coesão interna e evitar rupturas que comprometam alianças regionais. No dia a dia, esse movimento sinaliza uma tentativa de equilibrar as demandas pessoais com a estratégia coletiva, sob a ótica de quem acompanha de perto o tabuleiro político.
No front regional, os desdobramentos aparecem com nuances distintas. Em Santa Catarina, Michelle chegou a sinalizar apoio à deputada Caroline de Toni (PL-SC) para o Senado, enquanto o partido manteria acordo para lançar Carlos Bolsonaro (PL) e apoiar a reeleição de Esperidião Amin (PP-SC). A reportagem aponta que Caroline informou a Valdemar Costa Neto que deixaria o partido para concorrer, abrindo espaço para as negociações em torno da candidatura estadual. No Ceará, a ex-primeira-dama criticou a possibilidade de uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) no fim de 2025 e manifestou apoio ao senador Eduardo Girão, mantendo o tom de lealdade de que o grupo precisa se manter unido diante do cenário nacional. Em São Paulo, a aposta passa pela defesa da senadora Rosana Valle (PL) para o Senado, enquanto Eduardo Bolsonaro aposta em nomes diferentes, demonstrando como as estratégias variam conforme o estado e as conversas locais.
No conjunto, o que fica evidente é a busca por uma frente estável em torno de um objetivo comum: enfrentar adversários relevantes, mantendo ao mesmo tempo uma distância estratégica dos desdobramentos familiares que possam atrapalhar a leitura dos eleitores. E você, leitor, o que acha que esse tipo de alinhamento indica para o eleitor comum? No fim das contas, a ideia é preservar a unidade do bloco com foco em derrotar a oposição, sem transformar discussões internas em palco de confronto público.