Lula não deveria disputar a reeleição por “idade avançada” e políticas econômicas “medíocres”, afirma The Economist
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Uma análise publicada pelo The Economist no fim de dezembro de 2025 lança uma leitura incomum sobre a possível candidatura de Lula à reeleição. O ponto central é simples, mas definitivo: aos 80 anos, o hoje presidente brasileiro carrega riscos que o Brasil não precisa enfrentar nos próximos quatro anos. A reportagem sustenta que a idade avançada pode colocar o país diante de uma decisão arriscada, mesmo que o carisma do líder ainda pese entre seus apoiadores.
Para a publicação, a comparação com Joe Biden, que disputou a eleição presidencial de 2024 aos 81 anos, ajuda a entender o retrato político em torno da faixa etária. Embora afirme que Lula pareça mais saudável do que o antecessor americano naquela época, o texto não esconde que o brasileiro já lidou com questões de saúde. Em tom contundente, relembra que, em dezembro de 2024, Lula precisou passar por uma cirurgia cerebral para estancar um sangramento, um episódio que acende o alerta sobre o desgaste de um mandato longo. No cálculo da reportagem, cumprir outro mandato colocaria o ex-presidente em 85 anos ao deixar o cargo.
No panorama traçado pelo The Economist, o tema não fica restrito à vida pessoal de Lula. A revista relembra a disputa entre o então presidente Donald Trump e Lula ao longo de 2025 e analisa as implicações disso para a corrida de 2026. De um lado, Trump confronta acusações e pressões; de outro, Lula aparece como uma linha de continuidade que, para muitos, já vem com uma bagagem de vitórias, mas também de críticas. O retrato é de uma corrida onde Lula, de certa forma, chega a um momento de consolidação: ele está bem posicionado para manter a dianteira na votação de outubro, segundo a leitura da publicação.
Para a The Economist, a decisão de continuar no cargo não é apenas sobre apetites pessoais. A revista afirma que, embora Lula tenha encontrado força entre eleitores, a percepção de um quarto mandato geraria tanto celebração quanto cansaço entre quem defendia a alternância de poder. Em uma linha que ecoa a ideia de que o país merece escolhas mais amplas, o texto sugere que, se o cenário político não oferecer novas opções, a democracia pode acabar se restringindo a alternativas pouco inspiradoras.
Entre os pontos críticos destacados, a economia ganha destaque. A publicação aponta que, apesar de o Brasil ter apresentado crescimento recente, as políticas econômicas de Lula são descritas como medíocres, com ênfase em transferências de renda para as camadas mais pobres e um ritmo de arrecadação que, segundo a revista, não favorece as empresas — ainda que tenha encontrado apoio de algumas categorias com uma reforma tributária simplificada. No quadro, a ideia de equilíbrio entre crescimento, distribuição de renda e ambiente de negócios aparece como um desafio pendente para qualquer segundo mandato.
Outro aspecto citado pela Economist é a ausência de um substituto competitivo que venha do centro ou da esquerda. Embora haja menções a jovens prefeitos com apoio em determinadas correntes, o texto reforça que esses nomes ainda não têm fôlego suficiente para derrotar Lula. Enquanto isso, Biden volta como referência na comparação sobre formação de legado e preparo de sucessores, mantendo o foco da discussão na necessidade de renovação política.
No campo das possibilidades à direita, o jornal destaca Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, como figura de destaque que poderia desafiar Lula no futuro. Mesmo sem uma candidatura formal anunciada, Freitas aparece com vantagem modesta nas sondagens em relação ao atual presidente, o que mostra o tamanho do desafio para o chamado campo da oposição. O relato aponta ainda para o movimento estratégico de Bolsonaro de, caso perceba impedimentos para o filho, transferir apoio para Freitas, abrindo caminho para uma coalizão alternativa.
Em síntese, a The Economist sustenta que Freitas, com postura ponderada e perfil democrático, é apresentado como uma figura que o eleitorado poderia favorecer — especialmente por se tratar de alguém com menos desgaste político do que figuras já associadas a ciclos de governo mais amplos. A reportagem reforça que, para que a direita tenha chances reais, é preciso que haja uma união em torno de um candidato capaz de reduzir a burocracia, manter firme o combate à criminalidade sem abrir mão das liberdades civis e, sobretudo, respeitar o Estado de Direito. A ideia é clara: escolha mais clara, menos polarização.
Entre o essencial, fica a leitura de que, em 2026, a democracia brasileira precisará de uma disputa mais autêntica entre novidades com viabilidade real. Ainda que o cenário dependa de decisões futuras, a publicação aponta que, se os oposicionistas forem sensatos, poderão consolidar um caminho único, deixando de lado disputas fragmentadas — e apresentando ao eleitorado um candidato que realmente represente uma mudança desejada e capaz de governar com responsabilidade.
- Idade: Lula aos 80 anos, com questionamentos sobre o impacto de um novo mandato.
- Economia: críticas a políticas consideradas medíocres, foco em renda para os pobres e ganhos com uma reforma tributária que atenda empresários.
- Palco político: ausência de substituto competitivo do centro/esquerda; destaque para Tarcísio de Freitas como potencial candidato de direita; possibilidade de alianças estratégicas.