Você já percebeu? os ataques de Trump ao Irã ajudam a subir o diesel no mundo inteiro, afirma Lula
O presidente Lula aponta que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã reverbera no custo dos combustíveis globalmente e cobra responsabilidade de quem decide pelo combustível caro. Ele também comenta sobre o cenário internacional e as medidas do governo para evitar uma greve de caminhoneiros.
Durante a solenidade de entrega do 3º Prêmio Mulheres das Águas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou a atenção para os impactos da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã sobre os preços dos combustíveis no mundo todo. Em seu discurso, ele questionou por que o resto do planeta precisa pagar pelas decisões de alguns países, e não há como ignorar o efeito prático dessa conjuntura no dia a dia das pessoas.
Em várias passagens, ele reforçou que a volatilidade gerada pela escalada de conflitos alimenta o aumento do diesel e de outras opções de energia, ampliando o custo de transporte, produção e serviços ao redor do globo. No palco, o presidente ouviu aplausos ao citar que a geopolítica tão distante pode, sim, chegar perto da conta que cai no orçamento familiar. “Vocês já perceberam que os tiros que o Trump deu no Irã estão elevando o preço do diesel? No mundo inteiro”, ressaltou Lula, mantendo o tom direto que costuma usar para dialogar com o público. “E nós, que estamos a milhares de quilômetros de lá, por que temos que pagar esse preço?
Ao analisar o cenário, Lula destacou que a Rússia tem colhido ganhos no marco da alta dos preços, especialmente porque parte das restrições à venda de petróleo russo vêm sendo flexibilizada. Nesse recorte, ele associou a evolução aos interesses de um conjunto restrito de protagonistas globais, citando os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — aos quais atribui a responsabilidade pelas decisões que moldam o mercado mundial de energia. “Eles decidiram que são donos do mundo. E resolveram atacar o que quiserem. E esse prejuízo está atingindo quem? Pense bem: quem paga a conta é quem trabalha e já chega no fim do mês apertado”, comentou o presidente em tom contundente.
Ele insistiu que, nessa equação, quem mais sofre é a camada mais vulnerável da população — os trabalhadores e os mais pobres. “A desgraça causada pelos ricos acabará caindo sobre quem não tem recursos para se defender”, proferiu, ao relacionar a política externa com impactos reais no custo de vida. A crítica, que veio à tona justamente em um momento em que o governo está alinhavando ações para reduzir impactos econômicos, ganhou ainda mais força ao apontar a culpa de decisões internacionais na deterioração de preços locais.
A pauta doméstica ganhou importância justamente por exigir respostas rápidas em um ano eleitoral. Nesta semana, o governo lançou uma ofensiva multifacetada para evitar uma greve de caminhoneiros, com foco em assegurar o abastecimento e conter custos. Foram anunciadas medidas para endurecer a fiscalização do frete mínimo e para avançar em negociações com estados com o objetivo de reduzir o ICMS sobre combustíveis. No pragmático outro lado, a narrativa aponta para a necessidade de equilibrar política externa com o sustento da atividade econômica interna, lembrando que o custo do transporte impacta diretamente produção, comércio e consumo nas cidades.
No recorte cotidiano, o leitor pode sentir o efeito direto dessa conjuntura: inflação de itens ligados ao transporte, reajustes de preços e a pressão sobre o orçamento familiar. No longo prazo, a discussão volta a girar em torno de como manter a conectividade entre produção, distribuição e consumo sem, ao mesmo tempo, abrir mão de uma visão estratégica para segurança energética. E, como sempre em política econômica, surgem perguntas que ajudam a entender a prática: qual o peso real das decisões globais sobre o dia a dia das pessoas aqui no Brasil? E quais caminhos internos podem mitigar esse efeito cascata sem abrir mão de diálogo com o cenário internacional?
Independentemente das posições políticas, o debate aponta para uma verdade sensível: a economia moderna está cada vez mais integrada a tensões geopolíticas que, na prática, influenciam o bolso de cada consumidor. No fim das contas, é preciso acompanhar não apenas os movimentos dos mercados, mas também as escolhas de quem define a política externa, porque, no fim das contas, as consequências acabam chegando às ruas, aos postos de combustível e ao carrinho de compras de todo mundo.