Lula enviará ao Senado o nome Messias para o STF, 4 meses após anúncio

Ouvir esta notícia

Lula encaminha ao Senado a indicação de Messias para o STF, meses após anúncio da escolha

descrição

O presidente Lula vai encaminhar ao Senado, nesta terça-feira, 31 de março de 2026, a indicação do titular da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). A formalização ocorre mais de quatro meses depois de Lula ter anunciado a escolha, em novembro do ano passado, durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, com Messias presente.

A demora ficou marcada, em parte, pela resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que chegou a demonstrar preferência pelo senador Rodrigo Pacheco para a vaga aberta após Luís Roberto Barroso. No dia 24, já na reta final, Lula foi alertado por aliados do MDB de que o envio da indicação quanto antes ajudaria a evitar que o ambiente do Congresso fiquese ainda mais conflagrado diante de uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que poderia apontar caminhos de interesse de políticos influentes nos depoimentos.

Além da própria leitura de cenário feita por petistas e aliados, o diagnóstico entre interlocutores próximos ao Senado é de que a situação já está mais favorável para a aprovação de Messias tanto na CCJ — onde será sabatinado — quanto no plenário. Ainda assim, o governo tem cuidado para não forçar a barra e evitar riscos desnecessários.

Nos bastidores, Messias conta com a simpatia de ministros do tribunal, que teriam procurado senadores para articular apoio à sua indicação. Entre eles, os nomes de André Mendonça e Kássio Nunes Marques aparecem como principais cabos eleitorais. Mendonça, que também é evangélico como Messias, tem enfatizado a importância de consolidar a aprovação; já Nunes Marques conhece Messias desde a época em que moravam no Piauí. Com ligas antigas a Bolsonaro, ambos devem buscar apoio entre a bancada de direita no Senado.

As avaliações de bastidores apontam que Messias contaria com pelo menos 48 votos no plenário, acima da maioria necessária para a confirmação. Esse cenário anima o Palácio do Planalto, que busca manter o ritmo de uma agenda que, na prática, reforça a atuação da AGU junto ao STF.

No fim das contas, a possível confirmação de Messias pode ampliar o papel da AGU na pauta judicial, ao mesmo tempo em que expõe o governo a novos acenos de coalizões no Congresso. Mas o caminho ainda depende da sabatina na CCJ e da demonstração de apoio suficiente no plenário — etapas que prometem manter a troca de faróis entre Executivo, Legislativo e o Judiciário bem acesa nos próximos dias.

O que achou deste post?

Jornalista

Carlos Ribeiro

AO VIVO Sintonizando...